Apoio latino ajuda cardeal de Los Angeles em crise de pedofilia

Roger Mahony ganhou simpatia da comunidade ao criticar Washington por não reformar o sistema de imigração

MARY MILLIKEN, REUTERS

17 Julho 2007 | 18h29

O cardeal Roger Mahony, de Los Angeles, enfrenta uma grave crise devido a abusos sexuais cometidos pelo clero, o que levou nesta semana a um acordo judicial de US$ 600 milhões, mas dificilmente terá de renunciar, graças ao apoio que desfruta na comunidade latino-americana. Na mais latina das grandes cidades dos EUA, o apoio de Mahony à igualdade e à reforma da imigração lhe valeu um número de seguidores que pode ajudá-lo a evitar o destino de outros líderes católicos, afastados devido a escândalos. "Tenho muita confiança no capital político e religioso que ele tem para sobreviver a isto", disse Clara Irazabal, professora de Planejamento Urbano da Universidade do Sul da Califórnia, que trabalha com organizações latinas. "Na justiça social e na reforma imigratória, ele vem trabalhando há décadas, e muita gente reconhece sua lealdade histórica", acrescentou. Mahony aceitou nesta semana o acordo com as supostas vítimas de abusos sexuais, pediu desculpas publicamente e ficou sentado em silêncio num tribunal, na segunda-feira, enquanto vítimas soluçavam ao final de cinco anos de disputa. Depois, enquanto o líder de 4,3 milhões de pessoas na maior diocese dos EUA se recolhia para rezar pelas vítimas, a promotoria acusava o cardeal de "um incrível fracasso moral". Mahony havia recentemente consolidado sua posição entre os latinos, que representam quase metade da população de Los Angeles, ao criticar Washington por não conseguir reformar o sistema de imigração e por manter cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais num limbo. Suas ligações com os latino-americanos da região são antigas. Mahony nasceu em Hollywood e fez trabalho social como pároco rural, na década de 1960, ao lado de César Chávez, herói do movimento trabalhista latino. Ascendeu rapidamente na hierarquia eclesiástica, e em 1985, aos 49 anos, tornou-se o primeiro nativo a chefiar a diocese de Los Angeles. Em 1991, foi sagrado cardeal pelo papa João Paulo 2o. Ele fala espanhol fluentemente com os fiéis e a imprensa, além de ter o costume de celebrar missas em espanhol na catedral de Nossa Senhora dos Anjos (ou de Los Angeles), onde párocos e fiéis entoam ritmos latinos.

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