Após acidente, Alckmin quer eliminar trem de carga durante o dia

'É totalmente inadequada a convivência do trem de carga com o de passageiros', disse o governador um dia após choque entre composições deixar 16 pessoas feridas

ELIZABETH LOPES, Agência Estado

19 de setembro de 2013 | 15h29

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quinta-feira, 19, que vai notificar a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a MRS Logística para que os trens de carga passem a circular nos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) apenas no período da noite. "Vou notificar a ANTT e a MRS para diminuir a zero o trem de carga durante o dia, porque é totalmente inadequada a convivência do trem de carga com o de passageiros", frisou. O anúncio ocorre um dia após um trem de carga da MRS ter descarrilado e batido em uma composição de passageiros próximo à estação Franco da Rocha, da linha 7- Rubi da CPTM, empresa responsável pelo transporte de passageiros na Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo Alckmin, o compartilhamento de trilhos no horário em que os passageiros estão sendo transportados é sempre um risco e, por isso, ele espera que a ANTT e a MRS encontrem uma solução para o problema. "É uma guerra permanente", desabafou.

Alckmin disse que o convênio para o compartilhamento dos trilhos da CPTM com o transporte de carga, que é administrado pelo governo federal, termina em 2016. E garantiu: "Encerrando o convênio, não queremos mais o trem de carga circulando dentro de São Paulo. Estamos sempre alertando o governo federal sobre isso." Na sua avaliação, as autoridades federais precisam criar uma alternativa para essa questão. "Se você for agora na Estação da Luz, está passando um trem de carga. E o acidente de ontem (em Franco da Rocha), graças a Deus não foi mais grave. Imagine se o descarrilamento fosse no começo da composição nossa de passageiros, por isso é preciso tomar as providências para utilizar só o (período) noturno, chamado de deserto, quando não tem o trem de passageiros", emendou.

Segundo o governador, dos 75 trens de carga que passam todos os dias pelos trilhos da CPTM em São Paulo, cerca de 25, ou 1/3 circulam de dia, junto com os trens de passageiros. "O transporte de carga é importantíssimo, precisa ser estimulado, mas não pode mais conviver (com o de passageiros). Transportávamos por dia, há 15 anos, 650 mil passageiros pela CPTM, hoje transportamos 2,8 milhões/dia e vamos chegar rapidamente a 3 milhões passageiros/dia. E é sempre um risco (se continuar o compartilhamento com o trem de carga)."

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