Após alta, Berlusconi pede ''calma'' na política

Premiê italiano, que permaneceu quatro dias internado após ser agredido, pede a críticos que se afastem dos que fomentam a violência

AFP, EFE E REUTERS, ROMA, O Estadao de S.Paulo

18 Dezembro 2009 | 00h00

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, pediu ontem moderação na política da Itália depois de deixar o hospital no qual ficou internado por quatro dias. O premiê foi agredido no domingo por um homem que justificou o ataque por ter uma forte aversão às políticas do partido de Berlusconi, o Povo da Liberdade.

O líder italiano ainda exibia alguns curativos no rosto no momento em que deixou o centro médico - ele teve o nariz e dois dentes quebrados após ter sido atingido por uma pequena réplica do Domo de Milão.

Logo após ser liberado, o premiê emitiu um comunicado no qual pedia "calma e honestidade" na política. "Se do que ocorreu surgir uma consciência maior da necessidade de uma linguagem mais calma e mais honesta na política italiana, então esta dor não terá sido em vão", afirmou a nota.

Berlusconi ainda convidou seus críticos a se afastarem daqueles que fomentam a violência. "De todos os modos, nós seguiremos adiante pelo caminho das reformas que os italianos pedem." O "convite" foi interpretado por analistas políticos como um recado para que o opositor Partido Democrata (PD) rompa sua aliança com a legenda Itália dos Valores e seu líder, o ex-juiz Antonio di Pietro, o principal acusado pelos partidários de Berlusconi de instigar o ódio à figura do premiê. "A uns e outros faço a mesma promessa: seguiremos adiante com mais força e determinação do que antes, pelo caminho da liberdade", afirmou Berlusconi.

"Devemos isso a nosso povo, à nossa democracia, na qual não prevalecerão nem a violência das pedras nem aquela pior, a das palavras."

RECOMENDAÇÕES MÉDICAS

Berlusconi seguiu ontem para sua residência em Arcore, nos arredores de Milão, onde passará os próximos 15 dias em repouso absoluto. Por enquanto, estão suspensos todos os compromissos do primeiro-ministro. De acordo com a imprensa local, Berlusconi foi ao dentista em uma consulta que demorou cerca de três horas.

Fontes na Suíça também afirmaram que o premiê seria levado para uma clínica do país para eliminar do rosto as marcas dos ferimentos da agressão. O líder italiano seria internado na mesma clínica que ficou em 2003, quando foi submetido a uma cirurgia estética.

O agressor de Berlusconi, Massimo Tartaglia, de 42 anos, que se submete a tratamento psiquiátrico há dez anos, deverá permanecer na prisão de San Vittore em Milão por ordem judicial.

MODERAÇÃO

Silvio Berlusconi

Premiê italiano

"Se do que ocorreu surgir uma consciência maior da necessidade de uma linguagem mais calma e mais honesta na política italiana, então esta dor não terá sido em vão"

"A uns e outros faço a mesma promessa: seguiremos adiante com mais força e determinação do que antes, pelo caminho da liberdade (...) Devemos isso a nosso povo, à nossa democracia, na qual não prevalecerão nem a violência das pedras nem aquela pior, a das palavras"

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