Após ataque no Sinai, Egito promete conter infiéis

O Egito chamou de "infiéis" os atiradores islâmicos que mataram 16 policiais perto da fronteira com Israel, num incidente que abalou as relações do Cairo com Israel e com os palestinos.

YUSRI MOHAMMED, Reuters

06 de agosto de 2012 | 19h59

Um funcionário do governo egípcio disse que "elementos jihadistas" (combatentes islamistas)se infiltraram da Faixa de Gaza para o Egito antes de realizarem o ataque contra um posto de fronteira. Eles então furtaram dois veículos blindados e tentaram invadir Israel, mas foram mortos por tiros das forças israelenses.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse que oito militantes morreram no ataque, e acrescentou que o incidente deve servir como um "toque de alerta" para o Egito, a quem Barak há tempos acusa de estar perdendo o controle sobre a desértica península do Sinai.

O massacre representa um dos primeiros testes diplomáticos para o presidente do Egito, Mohamed Mursi, político islâmico que assumiu o cargo em junho, mais de um ano depois da rebelião popular que depôs o regime de Hosni Mubarak.

Mursi visitou a região da fronteira nesta segunda-feira, acompanhado pelo chefe das Forças Armadas egípcias, marechal Hussein Tantawi. O Exército enviou reforços e montou postos de controle.

Mubarak, aliado dos EUA, colaborava estreitamente com Israel em questões de segurança e reprimia movimentos islâmicos como a Irmandade Muçulmana, da qual Mursi provém.

Os militares egípcios, que ainda detêm muito poder apesar da recente transição política, chamaram os agressores de "infiéis", e disseram que sua paciência com a instabilidade no Sinai se esgotou. "Os egípcios não vão esperar muito tempo para verem uma reação a esse fato", disseram as Forças Armadas em nota divulgada pelo Facebook.

A agência estatal de notícias Mena citou uma fonte militar segundo a qual os mortos no ataque serão homenageados com um funeral com honras militares na terça-feira no Cairo.

A desmilitarização do Sinai é um dos pilares do histórico acordo de paz de 1979 entre Israel e o Egito. No último ano, porém, bandidos beduínos, jihadistas e militantes palestinos da vizinha Gaza têm aproveitado o vácuo militar na região, conturbando ainda mais as já precárias relações entre Israel e Egito.

HAMAS

Falando a uma comissão parlamentar em Jerusalém, Barak elogiou a ação das Forças Armadas contra o ataque de domingo, o que incluiu uma rápida mobilização aérea e a destruição de um dos veículos que tentava violar a fronteira.

"Talvez seja também um adequado toque de alerta para que os egípcios lidem com a questão de forma mais firme", afirmou.

Mursi tem prometido honrar o acordo de paz de 1979, mas também tem buscado boas relações com o Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza - aproximação que pode ser prejudicada pelo atentado do fim de semana. Durante a madrugada, o Egito fechou a fronteira com Gaza, interrompendo o único ponto de trânsito para a maioria dos palestinos desse território.

Ninguém assumiu a autoria do ataque. Em seu site, a Irmandade Muçulmana disse que o ataque "pode ser atribuído ao Mossad (serviço israelense de inteligência)", e que é uma tentativa de abalar Mursi. A Irmandade disse que seria "imperativo rever cláusulas" do acordo de 1979.

Israel negou a acusação da Irmandade.

"Mesmo a pessoa que diz isso quando olha para si mesmo no espelho não acredita no absurdo que está manifestando", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor.

O Hamas condenou a morte dos egípcios e imediatamente interditou o labirinto de túneis usados para o contrabando sob a fronteira entre Egito e Gaza. O governo egípcio disse que os pistoleiros usaram esses túneis para chegar ao território egípcio.

Muitos produtos importantes, inclusive combustível, passam pelos túneis, e uma interdição prolongada pode sufocar economicamente a Faixa de Gaza, que já é alvo de um bloqueio terrestre e marítimo por parte de Israel.

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