Após banir térmica a óleo,Tolmasquim prevê fim do carvão mineral

Depois de banir a participação de empreendimentos de usinas térmicas a óleo nos leilões oficiais do governo, para tentar eliminar essa fonte energética do país, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, sinalizou que o carvão mineral também pode estar com seus dias contados.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

06 Junho 2011 | 15h06

Segundo ele, a perspectiva de um grande crescimento da oferta de gás natural com a descoberta do pré-sal deverá fazer o Brasil repensar o uso do carvão como fonte de geração de energia.

Para Tolmasquim, o Brasil tem forte vocação para geração hídrica e tem perspectivas de expansão da geração via fontes alternativas, e por este motivo não precisa usar carvão.

"O carvão é um grande emissor de gases do efeito estufa e talvez não seja a prioridade do Brasil, devemos apostar no nosso potencial de fontes renováveis", disse Tolmasquim a jornalistas nesta segunda-feira.

Atualmente o carvão mineral representa 5,1 por cento da matriz energética brasileira.

"Térmicas a óleo não vamos ter mais contratadas no país. À carvão tem que haver um discussão no pais", disse ele.

"O Brasil tem outras possibilidades de oferta. Tem hidrelétrica, fontes alternativas e o gás, que das energias fósseis é a mais limpa...o gás botou o Brasil num patamar interessante e o carvão ainda não encontrou uma solução para o controle do CO2 emitido", acrescentou.

PDE

O Plano Decenal de Energia (PDE), que engloba o período 2011-2020, detalhado pelo executivo nessa segunda-feira, prevê uma sobreoferta de gás em 2020 de 24 milhões de metros cúbicos. Se for contabilizada a oferta que precisa ficar disponível para atender um eventual despacho de térmicas, a sobreoferta chegaria a 66 milhões de metros cubicos.

"Mesmo assim ainda acho o gás da Bolivia interessante. O contrato vence em 2019 e o gás que vem de lá é interessante, e temos uma estrutura montada, o Gasbol", frisou ele.

A previsão é de que até 2020 a participação do gás na matriz de energia suba dos atuais 10,2 por cento para 14,4 por cento.

A geração hidráulica perderia espaço, mas essa perda será compensada por fontes renováveis como PCH, eólica, biomassa, cana-de-açúcar e outros. A única usina nuclear prevista no plano é a finalização de Angra 3, no Rio de Janeiro.

Hoje as renováveis representam 45 por cento da oferta interna de energia e em 2020 ficariam em 46 por cento, segundo o estudo da EPE.

"A redução das hidrelétricas se deve à dificuldade maior na obtenção de licença e na instalação de novos projetos", avaliou o presidente da EPE.

A EPE prevê que até 2020 serão investidos 1 trilhão e 19 bilhões de reais na ampliacao da oferta de todas as energias, sendo metade referentes a investimentos da Petrobras em petróleo e gás natural.

Ao longo dos próximos 10 anos, a oferta total de energia vai crescer 62 por cento, passando de 279,6 TEPs (Tonelada Equivalente de Petróleo) para 440 TEPs.

"No setor elétrico o investimento vem em grande parte do setor privado e, na área de petróleo, grande parte vem da Petrobras", destacou ele.

O Plano prevê ainda investimentos de 686 bilhões de reais só em petróleo e gás, de acordo com a EPE

ETANOL

Apesar da crise de oferta de etanol esse ano, o combustivel vai continuar com uma forte expansão, previu a EPE.

A previsão é de que a frota de veículos leves quase dobre no país ao passar de 29,7 milhões em 2011, para 50,3 milhões em 2020.

Os carros bicombustíveis, ou flex fuel, devem representar 78 por cento da frota nacional de leves em 2015, contra 49 por cento esse ano.

"Hoje a gente tem cerca de 3 milhões de veículos por ano e a previsão é de que em 2020 essa média anual passe para 5,5 milhões," previu Tolmassquim.

"O etanol vai crescer na nossa matriz por conta da venda de flex fuel, cujo o dono prefere na maior parte do ano o etanol. Não tenho dúvida que o episódio desse ano foi pontual e o Brasil vai preponderar o etanol", adicionou.

O governo estuda medidas para evitar que o preço do etanol suba muito no mercado interno, informou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nesta segunda-feira.

A demanda pelo etanol deve subir em 10 anos, de 27 para 73 milhões de litros, um ganho médio anual de 10,6 por cento.

O estudo aponta para 2020 um demanda total de cana-de- açúcar de 1,1 bilhão de toneladas de cana, sendo 815 milhões para a produção de etanol e o restante para a a produção de açúcar.

(Texto e edição de Denise Luna)

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