Após casos de botulismo, Estado interdita lotes de mortadela e milho

Medida impede a venda dos produtos em SP; a pedido do Ministério da Saúde, família será liberada apenas hoje

GHEISA LESSA, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h02

A Secretaria de Saúde do Estado interditou um lote de mortadela suspeito de ter causado botulismo a quatro pessoas de uma mesma família, no interior de São Paulo. A determinação foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado. Junto com o alimento, da marca Estrela, também foi interditado um lote de milho verde em conserva da marca Quero.

As interdições, que impedem a venda dos produtos em todo o Estado de São Paulo, foram realizadas pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado. A proibição da venda dos lotes seguirá pelo menos até a conclusão das análises das amostras dos produtos recolhidas e encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, na capital paulista.

Procurada, a empresa Estrela afirmou que o produto é submetido a um processo térmico e possui determinadas substâncias que impedem a existência da bactéria causadora do botulismo. Segundo a nota, o local que vendeu a mortadela para a família informou que o produto havia sido vendido 12 dias antes do consumo. A empresa Quero não se manifestou sobre a interdição.

Contaminação. As investigações começaram após uma família de Santa Fé do Sul ter sido diagnosticada com botulismo. Pai, mãe e dois filhos chegaram ao hospital com vômito, diarreia, dificuldade de locomoção e visão embaçada. O quadro se agravou rapidamente e foi diagnosticado o botulismo.

Ontem, a família recebeu alta hospitalar, mas, atendendo a uma solicitação do Ministério da Saúde, só será liberada hoje. A informação é do médico José Maria Ferreira dos Santos, da Santa Casa da cidade. O ministério pediu mais exames antes de liberá-los. Depois, a família irá para casa e será monitorada a distância por um período.

Benedito José dos Santos, de 38 anos, Elisete Garcia, de 30, e os filhos Juliana Bruna, de 12, e Cristiano, de 9, foram internados no domingo e receberam um soro específico contra o botulismo graças a uma operação da Polícia Militar e de outros órgãos.

O soro estava na capital e foi levado para o interior em um helicóptero. Sem a mobilização, o estado de saúde das vítimas teria se agravado. O botulismo pode ser fatal.

De acordo com as investigações iniciais, a família consumiu, pouco antes de ficar doente, a mortadela da marca Estrela o milho da Quero.

Preocupada com a repercussão do caso, a Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço) divulgou um comunicado em que afirma que é um mito a relação que as pessoas fazem entre o botulismo e o consumo de alimentos enlatados.

A Abeaço cita que, nos últimos 12 anos, dos 66 casos de botulismo alimentar registrados no Brasil, a maioria envolveu conservas vegetais artesanais, produtos cárneos cozidos, curados e defumados artesanalmente, além de queijos e pastas de queijos. "As conservas artesanais nunca são embaladas em lata de aço, pois o aço requer processo industrial sofisticado." / COLABOROU RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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