Após crise financeira, governo perde eleição na Irlanda

Os principais partidos de oposição da Irlanda pareciam dispostos a formar uma coalizão com uma maioria recorde, no sábado, depois que os eleitores, com raiva do colapso financeiro e do humilhante socorro financeiro, derrotaram o governo.

PADRAIC HAL, REUTERS

26 de fevereiro de 2011 | 16h57

Resultados preliminares mostravam que o partido do governo, Fianna Fail, estava enfrentando a maior queda de apoio popular que qualquer partido irlandês já enfrentou desde a independência da Grã-Bretanha, em 1921, e a sua derrota o tornaria o primeiro governo da Zona do Euro a ser derrubado pela crise da dívida.

Ter que ir de chapéu na mão para a União Europeia e o FMI no ano passado foi o golpe de misericórdia para o partido do governo e vai fazer com que Lisboa, visto como a próxima da fila a pedir um socorro financeiro, se sinta incomodada.

Uma série de independentes importantes --que vão desde um construtor cabeludo a um elegante ex-corretor de ações-- derrubaram partidos e candidatos que haviam governado durante gerações.

"Eles já vão tarde", disse Simon McGrath, um estudante de 23 anos. "Não acho que sentiremos falta deles."

Apesar de brigas durante a campanha eleitoral, os partidos Fine Gael e Labour (Trabalhista) têm uma tradição de trabalhar bem em conjunto e com uma maioria considerável, devem trazer alguma estabilidade de volta à política irlandesa, após o caos dos últimos dias do governo do Fianna Fail.

Mas a presença do partido Labour pode aumentar a pressão para renegociar os termos do socorro financeiro internacional e, apesar da força do mandato, o governo será pressionado se o crescimento econômico vacilar e ele tiver que fazer mais cortes.

O Fianna Fail, um antigo gigante da política irlandesa, parecia destinado a perder mais de 50 assentos e ficar com apenas cerca de 20 parlamentares para dividirem as trincheiras da oposição com uma colorida mistura de independentes contrários ao socorro financeiro e Sinn Fein, mais conhecido como o braço político do agora inativo IRA, o Exército Republicano Irlandês.

Em Dublin, esperava-se que o Fianna Fail mantivesse apenas um assento entre os 47 possíveis, aquele do ex-ministro das finanças, Brian Lenihan, cuja personalidade afável e a luta contra um câncer, pesaram mais do que os seus orçamentos austeros e a afronta do socorro financeiro.

"Eu vi uma manchete que dizia: 'Chutem-os nas urnas' e certamente o Fianna Fail levou esse chute hoje," disse Batt O'Keeffe, um ex-ministro, que se aposentou antes das eleições.

A construção de um novo parlamento não será confirmada até que a contagem manual termine, no domingo, mas membro do principal partido de oposição, Fine Gael, disse à Reuters que eles provavelmente formarão uma coalizão com o partido Labour (Trabalhista), de centro-esquerda.

"O Fine Gael e o Labour formaram uma plataforma conjunta em 2007, então espera-se que seja possível, mesmo em tempos difíceis, negociar um acordo", disse Richard Bruton, porta-voz do Fine Gael e provável futuro ministro.

Uma pesquisa de opinião da empresa estatal RTE colocou Fine Gael, de centro-direita, com 36 por cento das primeiras preferências dos votos, pelo sistema de representação proporcional, seu melhor resultado desde 1982, mas abaixo das expectativas para uma vitória absoluta.

Cerca de 36 por cento das primeiras preferências de voto, lhes dariam cerca de 72 assentos num parlamento de 166 cadeiras.

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