Após críticas, Arezzo retira peças com pele verdadeira das lojas

Marca usa peles de raposa e de coelho; fundador diz que material veio do exterior e tinha certificado de origem

Afra Balazina e Andrea Vialli, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

A Arezzo decidiu retirar de todas as lojas do Brasil as peças da coleção de inverno fabricadas com peles de raposa depois de protestos nas redes sociais. A polêmica deixou a marca entre os tópicos mais comentados no Twitter e rendeu também comentários raivosos no Facebook.

Em nota, a empresa afirma que, "por respeito aos consumidores contrários ao uso desses materiais, estamos recolhendo em todas as nossas lojas do Brasil as peças com pele exótica em sua composição, mantendo somente as peças com peles sintéticas". A pele de raposa foi usada em uma estola, uma bolsa e uma bijuteria. A marca utilizou ainda pele de coelho para fazer ponteira de cadarço - neste caso, as peças continuarão nas lojas.

Segundo Anderson Birman, presidente e fundador da marca, as peles vieram do exterior e tinham certificado de origem. Ele diz que a retirada das peças não prejudicará a coleção. "Era uma parte insignificante de uma coleção ampla."

Birman conta que a pele de raposa foi utilizada para "sofisticar" a coleção. Mas tanto a marca quanto as modelos que usaram estolas no lançamento da coleção foram alvo de fortes críticas. "As críticas constroem. Para mim, a voz do povo é a voz de Deus", diz ele, que ainda não sabe o que fará com o material recolhido. Ele ressalta que uma consultoria ajudará a empresa na área de sustentabilidade.

Tendência. O uso de peles verdadeiras está em alta tanto no Brasil quanto no exterior. Neste ano, no Fashion Business - evento paralelo à Fashion Rio -, três estilistas levaram peles à passarela: Carlos Miele (raposa e coelho); Patrícia Vieira (pele de cabra e de coelho) e Victor Dzenk (peles de chinchila tingidas de rosa, vermelho e azul).

Para o deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), o uso de peles verdadeiras é um "retrocesso" e uma "apelação para agregar valor". "Hoje temos pelos sintéticos com a mesma qualidade."

Para a consultora de moda Chiara Gadaleta, as marcas ainda não acreditam que os consumidores vão se posicionar ou reagir. "Mas, visto a polêmica da Arezzo e a decisão de tirar os produtos das lojas, já percebemos que essa mentalidade pode mudar", afirma. Segundo ela, as marcas que não tomarem iniciativas próprias para ter uma posição socioambiental serão pressionadas pelos consumidores. "Acredito que casos como esse mostram como a sustentabilidade na moda pode ter muito mais voz do que o mercado acredita."

NAS REDES SOCIAIS

"Tem de ser muito ignorante, inconsciente, irracional e burro para usar uma coleção

dessas. Pele não."

ELAINE GOMES / SOBRE A COLEÇÃO DA AREZZO COM PELES VERDADEIRAS

"Por que não pega um animal inteiro e coloca no pescoço?"

MILENE MIRANDA MARTINS / CRITICANDO MODELO NO FACEBOOK

"Gente sou apenas uma modelo, não uso e nem compro pele de animais, parem de me

chingar!!!" (sic)

EMILY GERMANO / MODELO, RESPONDENDO A CRÍTICAS

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