Após decisão judicial, USP Leste busca local alternativo para aulas

Câmpus terá de parar atividades porque terreno está contaminado com metano, segundo análise feita pela Cetesb

PAULO SALDAÑA, VICTOR VIEIRA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2013 | 02h07

A direção da USP Leste já busca locais alternativos para dar continuidade às aulas caso haja necessidade de acatar decisão da Justiça sobre suspensão das atividades na unidade por causa dos problemas da contaminação do solo. A universidade tem 30 dias para atender ao Judiciário e transferir os cursos para outro local - há aulas de reposição programadas até janeiro.

Ontem, o diretor em exercício, Edson Leite, distribuiu e-mail falando da iniciativa aos professores, alunos e funcionários. Segundo a assessoria de imprensa da unidade, não há um calendário oficial e cada curso definiu suas necessidades. A intenção é que a reposição seja feita até o dia 21 de janeiro.

A reposição é necessária por causa da greve de 50 dias que alunos e professores realizaram entre setembro e outubro. O estopim foi a autuação da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) pelo descumprimento de exigências ambientais.

Ontem, atendendo a ação do Ministério Público Estadual (MPE), a 2.ª Vara da Fazenda Pública estipulou que as atividades fossem transferidas para outro local em 30 dias e também que uma obra no câmpus fosse interrompida - para assegurar "a integridade física das pessoas". A sentença indica risco de explosão pela existência de gás metano.

Laboratórios. A professora Maria Cristina Motta de Toledo, da USP Leste, diz que seria muito difícil transferir todos os cursos. "Há pesquisas em andamento, que dependem dos laboratórios. Seria um prejuízo imenso. Mas a segurança está em primeiro lugar."

Maria Cristina foi eleita, na terça-feira, diretora da unidade, mas sua indicação ainda precisa ser confirmada pela reitoria. "Ainda há muita controvérsia sobre o grau de risco", diz. O diretor da unidade, Jorge Boueri Filho, está licenciado. A Congregação aprovou seu afastamento, mas a reitoria não seguiu a decisão. Como revelou ontem o Estado, a USP abriu processo administrativo disciplinar contra ele no dia 7.

Um grupo de alunos se reuniu ontem com representantes da direção para discutir a transferência do grêmio estudantil do prédio conhecido como laranjinha, que será demolido. A decisão foi tomada após autuação da Cetesb.

A Cetesb ressalta que não há riscos. Em outubro, a USP Leste foi multada em R$ 96 mil por não cumprir exigências de controle e despoluição do solo. Por estar na várzea do Rio Tietê, toda a área ocupada pela unidade apresenta problemas de poluição de solo por gás metano, inflamável. A situação se agravou porque houve o depósito irregular de 109 mil m³ de solo contaminado em áreas da unidade.

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