Após denúncia de bebedeira, Nasa criará código de conduta

Agência espacial vai implementar, ainda, a proibição do consumo de álcool 12 horas antes de vôos

Carlos Orsi, estadao.com.br

27 Julho 2007 | 14h06

A Nasa permitiu que astronautas voassem embriagados em pelo menos duas oportunidades, diz relatório de um comitê independente, divulgado oficialmente nesta sexta-feira, 27, mas que já havia sido antecipado por uma revista especializada do setor de aviação.    Nasa detecta tentativa de sabotagem de missão espacial    Relatórios sobre saúde dos astronautas (PDF, em inglês)   Em nota emitida em resposta às recomendações do comitê, a agência espacial anuncia que criará um código de conduta, formal e por escrito, para os astronautas.   Além disso, a agência informa a adoção de uma política provisória sobre o consumo de álcool em vôos espaciais, proibindo bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores ao vôo, e determinando que nenhum astronauta poderá estar "sob a influência ou efeitos do álcool no momento do lançamento".   "A Nasa investigará alegações de uso de álcool por astronautas no período imediatamente anterior ao vôo", diz a nota. O relatório do comitê não cita nomes ou datas, nem diz quando o consumo de álcool ocorreu ou em que tipo de vôo - de ônibus espacial, nave Soyuz ou em aparelhos de treinamento.   Segundo o relatório, os astronautas embriagados tiveram autorização para voar mesmo contra a opinião de médicos e de outros astronautas.   O comitê foi criado depois que a astronauta Lisa Nowak foi presa, em fevereiro, acusada de tentar seqüestrar uma rival em um triângulo amoroso. A questão do álcool ocupa apenas uma pequena parte do texto, que se debruça sobre as práticas de avaliação médica e psicológica de astronautas.   Sobre os riscos de mais astronautas verem-se envolvidos em crimes passionais, o comitê reconhece que o processo de seleção e as avaliações psicológicas periódicas "não pretendem, nem poderiam", prever um distúrbio futuro.   "Mas podem identificar riscos e permitir intervenções", diz o relatório. Na nota emitida em resposta ao texto, a Nasa se limita a dizer que "partilha dessa visão".   Além do relatório do comitê, a Nasa divulgou nesta sexta-feira um relatório do Centro Espacial Johnson sobre as práticas de avaliação médica no Centro e, especificamente, o caso de Lisa Nowak.   A avaliação destaca que astronautas enviados em missão à Estação Espacial Internacional (ISS) passam por avaliações psicológicas seis meses e um mês antes do vôo, e que os membros da tripulação da ISS contam com consultas psicológicas de 15 minutos a cada duas semanas.   O texto diz, ainda, que os médicos da missão STS-121, do ônibus espacial Discovery - realizada em 2006, e da qual Nowak tomou parte - não encontraram nenhuma causa de preocupação em avaliações feitas antes, durante ou depois do vôo. Os colegas da missão consideraram-na "reservada, tímida, direta" e focada na missão, que "desempenhou bem".   Funcionários da Nasa entrevistados disseram-se "chocados" com o escândalo causado pelo seqüestro.   (com Associated Press)    

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