Após derrota em votações, líder da centro-esquerda renuncia na Itália

O líder da centro-esquerda da Itália Pier Luigi Bersani anunciou nesta sexta-feira a sua renúncia, depois que rebeldes do seu próprio Partido Democrático (PD) sabotaram dois candidatos que ele havia apoiado na eleição presidencial indireta, aprofundando o caos político no país.

JAMES MACKENZIE E BARRY MOODY, Reuters

19 de abril de 2013 | 19h46

Bersani disse em uma reunião com suas bancadas que renunciará à liderança do PD assim que a eleição do presidente da República for concluída. O mandato do atual presidente da Itália, Giorgio Napolitano, acaba em 15 de maio.

Em dois dramáticos dias de votação parlamentar secreta, sucessivos candidatos da centro-esquerda foram incapazes de atingir a maioria necessária.

"Ele aceitou sua responsabilidade depois da desgraça que aconteceu", disse o influente deputado Paolo Gentiloni, do PD.

A crise interna na centro-esquerda, que tem a maior bancada no Parlamento, pode tornar mais provável a realização de uma eleição suplementar no verão italiano, como solução para o impasse político causado pela inconclusiva eleição parlamentar de fevereiro.

Não está claro quem assumirá a liderança do bloco, mas a saída de Bersani abre caminho para a ascensão do seu arquirrival Matteo Renzi, o dinâmico prefeito de Florença, de 38 anos.

A renúncia de Bersani foi informada logo depois de o ex-premiê Romano Prodi anunciar que desistiria de disputar a Presidência no processo eleitoral que reúne 1.007 deputados, senadores e representantes regionais. Mais de 100 eleitores de centro-esquerda haviam descumprido a orientação de Bersani para votar em Prodi.

Antes, o ex-senador Franco Marini, também apoiado por Bersani, havia sofrido derrotas semelhantes.

A Presidência da República é um cargo protocolar na Itália, mas ganha importância em momentos de instabilidade política, como o atual, por causa do seu papel na formação de governos.

O apoio de Bersani a Prodi irritou também o líder centro-direitista Silvio Berlusconi, cuja bancada se absteve da votação e fez um protesto em frente ao Parlamento. Eles acusavam Bersani de ter traído um acordo para apoiar Marini, um candidato palatável à centro-direita, e disseram que essa situação deixa o país mais próximo de uma repetição das eleições.

O bloco de Bersani precisaria formar uma coalizão para garantir maioria no Senado e conseguir governar, mas o dirigente rejeitou qualquer aliança com Berlusconi, e foi esnobado pelo partido alternativo Movimento 5 Estrelas, do comediante Beppe Grillo.

Depois de quatro escrutínios na quinta e sexta-feira, novas votações estão previstas para sábado, mas Berlusconi disse que seu grupo irá novamente boicotar o processo se não houver um acordo prévio entre os partidos sobre quem será o candidato.

Uma autoridade do PD disse que os eleitores de centro-esquerda vão votar em branco, prolongando o impasse.

(Reportagem adicional de Paolo Biondi, Giselda Vagnoni, Naomi O'Leary e Gavin Jones)

Tudo o que sabemos sobre:
ITALIAPOLITICA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.