Após duas décadas de guerra civil, Somália elege presidente

Deputados da Somália elegeram por esmagadora maioria nesta segunda-feira o novato Hassan Sheikh Mohamud para o cargo de presidente do país. Na capital houve disparos de armas para celebrar a eleição, a primeira em décadas na Somália.

YARA BAYOUMY, Reuters

10 Setembro 2012 | 18h17

Os Estados Unidos classificaram a eleição como um marco no processo em que o país conflagrado pela guerra tenta pôr fim a mais de 20 anos de violência, corrupção e divisões entre clãs.

Considerado um moderado, Mohamud surpreendeu ao derrotar o atual presidente, xeque Sharif Ahmed, depois da desistência de dois dos quatro candidatos que passaram para o segundo turno da votação. Um deles, o primeiro-ministro Abdiweli Mohamed Ali, que usou seu peso político para apoiar a candidatura de Mohamud, disse que o resultado prenunciava uma nova era para a política somali.

"A Somália votou pela mudança", disse Ali à Reuters, acrescentando que ainda é muito cedo para dizer se tomará parte no próximo governo.

Desde a irrupção da guerra civil, em 1991, não há na prática nenhum governo central com controle do país, onde em grande parte a lei não impera.

A eleição desta segunda-feira foi o ponto culminante de um processo de paz regional apoiado pela ONU com a finalidade de pôr fim ao conflito interno na Somália, durante o qual dezenas de milhares de pessoas foram mortas e muitas fugiram.

Até o ano passado a capital, Mogadíscio, era palco de batalhas de rua entre militantes do grupo al Shabaab, ligado à rede al Qaeda, e soldados africanos. A cidade agora vive um momento de otimismo, com as estruturas destruídas pela guerra sendo substituídas lentamente por casas.

Mas os militantes ainda controlam extensas porções de território no sul e centro do país. Além disso, piratas, líderes regionais e milícias locais disputam o controle de amplas áreas do país, situado no Chifre da África.

O atual presidente admitiu a derrota. O diretor do Centro de Pesquisa e Diálogo, Jabril Ibrahim Abdulle --entidade não governamental na qual Mahmud trabalhou durante oito anos-- disse que o resultado evidencia o fracasso de Ahmed para derrotar a insurgência islâmica e melhorar o padrão de vida da população.

"Sua ênfase será na construção das instituições e na reconciliação. Seu maior desafio será a expectativa do povo", afirmou Abdulle.

Mohamud tomou posse minutos depois da vitória eleitoral.

Na Somália o presidente comanda o Poder Executivo enquanto o presidente do Parlamento é considerado o político mais poderoso, apto a assumir o cargo se o presidente não cumprir suas obrigações.

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