Após invasão, Incra no MS pede reintegração de posse

Cerca de 400 sem-terra invadiram sede em Campo Grande e prometeram ficar no local até 2009

JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, Agencia Estado

06 Novembro 2008 | 15h52

A procuradoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Campo Grande, deu entrada na Justiça Federal com pedido de reintegração de posse, após a invasão de quase 400 sem-terra na sede do instituto. A ocupação aconteceu ontem, sob a alegação de que a reforma agrária não está dando certa em Mato Grosso do Sul. "Estamos prontos para atravessar 2008 aqui", disse um dos líderes, identificado como Antônio Dias.O superintendente da sede do Incra, Flodoaldo Alencar, está tentando negociar a desocupação do prédio, mas não encontra, entre os manifestantes, coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST), Central Única dos Trabalhadores Rurais, Federação dos Trabalhadores na Agricultura e Federação da Agricultura Familiar (Fetag). A líder do MST, Maria de Fátima Vieira, que está em Brasília acompanhando as negociações com a diretoria do instituto, disse que o Incra-MS tem enfrentado "diversos problemas desde a troca do superintendente". "Em 2008, a reforma agrária estagnou e nem mesmo as conquistas obtidas em 2007 se concretizaram, acarretando diversos problemas nos assentamentos e acampamentos", afirmou.Ela explicou que uma das marcas do novo administrador, que assumiu o cargo no passado, é não aplicar o dinheiro da reforma agrária que chega ao Estado. "Soube do próprio presidente do Incra, Rolf Hackbart, que os recursos estão retornando para Brasília. Um total de R$ 12 milhões destinados ao crédito de implantação de assentamentos, estão parados no Incra-MS. O Rolf, afirmou que esse dinheiro vai voltar para Brasília, além de R$ 6 milhões para infra-estrutura e R$ 2,5 milhões para assistência técnica", disse.Flodoaldo explicou que os estornos de recursos acontecem "por uma questão de rubrica". Ele citou, como exemplo, o programa Territórios da Cidadania, dizendo que as verbas devolvidas até agora são as que foram destinadas a esse programa em realizações cuja demanda não gastou todo o recurso monetário. "Se o dinheiro vem para uma finalidade, não podemos aplicá-lo em outra, temos que devolver."

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