Após manifesto peemedebista, Dilma planeja conversa com Temer

A presidente Dilma Rousseff planeja conversar com seu vice, Michel Temer, sobre as demonstrações de insatisfação do seu partido, o PMDB, antes de partir em viagem oficial para a Alemanha no sábado.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

02 Março 2012 | 18h29

O descontentamento dos aliados, em especial do PMDB, com o espaço dado pela presidente para que eles participem das decisões do Executivo não é uma novidade, mas cresce desde o ano passado, e se aprofundou durante as trocas ministeriais promovidas por Dilma, ganhando força com a proximidade das eleições municipais.

Na quinta-feira, mais da metade da bancada peemedebista na Câmara assinou um manifesto reclamando da ação do governo em favor do Partido dos Trabalhadores (PT), em detrimento dos demais aliados.

"Nas propostas e decisões maiores (do governo) o PMDB não tem participado e é visível o esforço do governo para fortalecer o PT", diz o texto que pode contar com a assinatura de 52 deputados e será levado na próxima terça-feira a Temer.

O deputado Danilo Forte (PMDB-CE), um dos expoentes do movimento rebelde do partido, afirma que apesar de criticar a ação do Executivo pró-PT, o objetivo do manifesto não é desestabilizar a coalizão do governo.

"O partido precisa se impor como aliado e não ser submisso. Tem que ser uma parceria de verdade", disse. "O que nós não queremos é nos transformar num DEM", argumentou em referência ao partido de oposição que sempre foi o aliado de primeira hora do PSDB e que ao longo dos anos se enfraqueceu.

Uma fonte do governo, disse à Reuters sob condição de anonimato, que diferente dos outros partidos o PMDB, o maior da base aliada, tem apoiado todos os projetos de interesse do Executivo no Congresso. Nesse sentido o partido faz valer suas reivindicações.

Por isso, Dilma percebeu que a revolta deve ser controlada e conversará com Temer para encontrar uma solução para a conturbada relação dos últimos meses.

Antes mesmo da conversa, Dilma aproveitou a posse do novo ministro da Pesca, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), para reforçar a importância da coalizão e dizer que chegou ao poder graças aos aliados.

Uma outra fonte do PMDB, que também pediu para não ter seu nome revelado, disse ainda que o próprio Temer ficou ressentido depois que a presidente nomeou Crivella sem comunicá-lo.

O descontentamento, nesse caso, é porque Temer estava conversando com o pré-candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, Celso Russomano, com vistas à uma aliança com o pré-candidato peemedebista na capital, deputado Gabriel Chalita, e o partido viu na escolha de Dilma um movimento para capturar o apoio do PRB para o pré-candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad.

Esse movimento, que é negado pela equipe de Dilma, seria contrário até mesmo à orientação que a presidente deu ao Conselho Político da Coalizão, que reúne presidentes e líderes congressistas dos partidos aliados, de que não esperassem o uso da máquina federal para ajudar nas eleições municipais.

A fonte do PMDB disse que a cúpula do partido vai trabalhar para acalmar os revoltosos e evitar danos nas votações de projetos importantes.

Há preocupação também com o convocação feita pelo manifesto para o dia 25 de abril, em Brasília, conclamando prefeitos, vereadores e presidentes de diretórios municipais para debater a posição do partido dentro do governo e a estratégia das eleições de outubro.

O presidente do partido, senador Valdir Raupp (RO), pretende que essa reunião ocorra só em maio, o que também ajudaria a esfriar os ânimos. "Na quarta-feira (7), teremos reunião da Executiva e vamos tratar de alguns pontos desse manifesto", afirmou.

(Edição de Maria Pia Palermo e Eduardo Simões)

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