Após polêmica, júri do Prêmio Jabuti elege obra juvenil

Numa edição criticada por causa das notas de um jurado, 'A Mocinha do Mercado Central' venceu o Livro do Ano de Ficção

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h03

O Prêmio Jabuti entregou na noite de ontem os troféus da sua controversa 54.ª edição e anunciou as duas autores que ganharam Livro do Ano de Ficção e Não Ficção. São elas Stella Maris Rezende, pelo juvenil A Mocinha do Mercado Central (Globo), e Miriam Leitão, pelo livro de reportagem Saga Brasileira - A Longa Luta de Um Povo Por Sua Moeda (Record). Além de R$ 3,5 mil dados aos primeiros colocados das 29 categorias, as duas ganharam mais R$ 35 mil. Votaram nesta última fase os jurados das etapas anteriores e representantes do mercado editorial. É a primeira vez que duas mulheres ganham, juntas, o prêmio máximo do Jabuti no mesmo ano.

Stella Maris havia subido ao palco duas vezes, antes de receber a notícia de que o Livro do Ano de Ficção era dela. Eram seus o primeiro e o segundo lugar na categoria juvenil. Seu outro livro premiado foi A Guardiã dos Segredos De Família (SM).

"Desde os 10 anos sonho em escrever um livro, mas nunca sonhei com este momento. Agradeço a Deus que me deu minha família e a ela, que me mostrou o caminho dos livros", disse a jornalista Miriam Leitão.

'Jurado C.' Foram anunciados, também, os nomes que compuseram a comissão julgadora, incluindo o famoso "jurado C", que enfureceu autores e editores. Na apuração da categoria romance, Rodrigo Gurgel, o jurado C, deu notas muito baixas a alguns concorrentes e altas a outros, definindo, sozinho, os vencedores. Um exemplo: ele deu 0,17 para Infâmia (Alfaguara), da presidente da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Machado, que tinha boas chances de levar o Jabuti por causa das notas dos outros dois jurados Amilton Pinheiro e Suzana Ventura - 9,5 e 10. Ela perdeu na categoria Melhor Romance para Oscar Nakasato, por Nihonjin (Benvirá).

Professor de português numa escola de ensino médio em Apucarana (PR), Nakasato primeiro ficou feliz quando soube que tinha vencido o Jabuti, mas logo foi bombardeado pela polêmica causada pelo jurado. "Mas o que me deixou mais tranquilo foi saber que eu tinha tido boas notas dos outros jurados", disse. O vencedor já trabalha num novo romance, sem pressa. Cuida dos filhos adolescentes, das aulas e termina de construir sua casa.

Para o próximo ano, novas mudanças devem ocorrer, diz o curador José Luiz Goldfarb. Até a última edição, era possível dar notas de 8 a 10. Neste ano, os jurados puderam escolher de 0 a 10. "Isso fragilizou o equilíbrio entre os jurados. Alguma coisa ocorrerá para que o peso de um jurado não possa ser tão forte."

Há quem peça para as notas voltem a ser como eram antes. Outros sugerem que incluam um quarto jurado e que se descarte a nota mais baixa, como nas escolas de samba. No começo de 2013 um novo regulamento deve ser apresentado.

Concorreram neste ano 2.203 obras publicadas em 2011. O Estado e o Direito Depois da Crise, de José Eduardo Faria, editorialista do Estado, ficou em segundo lugar na categoria Direito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.