Após polêmica,revista publica estudo científico

Governo dos EUA temia que pesquisa sobre gripe aviária poderia inspirar arma biológica

CHICAGO, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2012 | 03h06

A revista Nature publicou o primeiro de dois artigos controversos sobre formas geneticamente modificadas em laboratório do vírus da gripe aviária. A publicação dos trabalhou gerou temor em especialistas americanos de biossegurança, que levantaram a possibilidade de as informações serem utilizadas para a confecção de armas biológicas.

O principal autor do estudo, Yoshihiro Kawaoka, leciona na Universidade de Wisconsin, em Madison. No centro das discussões havia o desejo de superar uma contradição ao menos aparente: a liberdade da ciência para divulgar suas descobertas e a obrigação de proteger a população de uma pandemia que poderia ter efeitos devastadores.

A gripe aviária possui um alto grau de letalidade em humanos, contudo ainda não foram descobertas na natureza formas do vírus que possam ser transmitidas de forma eficiente entre mamíferos. Em geral, a doença afeta pessoas que entraram em contato com aves infectadas pelo vírus conhecido como H5N1.

Os estudos paralelos realizados por Kawaoka e Ron Fouchier, da Faculdade de Medicina Erasmus, na Holanda, comprovaram que pequenas mutações genéticas poderiam mudar o perfil de transmissão do vírus. Eles demonstraram que furões - um pequeno mamífero dotado de sistema respiratório parecido com o humano - não só contraíam a doença como também eram capazes de transmiti-la a animais da mesma espécie.

"Há pessoas que dizem que a gripe aviária está presente há 16 ou 17 anos sem nunca se tornar transmissível entre humanos e, por isso, provavelmente, nunca se tornará (uma ameaça)", disse Malik Peiris, professor de virologia na Universidade de Hong Kong e autor de um comentário ao estudo de Kawaoka. "Este trabalho demonstra que isso não é verdade."

O estudo de Fouchier, considerado mais controverso, ainda não foi publicado pela revista Science. Os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), que financiaram parte das pesquisas, chegaram a defender a omissão de detalhes dos dois artigos, mas, depois de um longo debate no meio científico, passaram a defender sua publicação integral. / REUTERS

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