Após quatro anos, Vale inicia obras de siderúrgica no Ceará

Usina, em parceria com a coreana Dongkuk, tem investimento estimado em US$ 4 bilhões

Mônica Ciarelli, RIO, O Estadao de S.Paulo

17 Dezembro 2009 | 00h00

Prometida desde o final de 2005, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) começou ontem a sair do papel, com o início das obras no município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará. O projeto, que passou por reviravoltas com mudanças de sócios e de tecnologia, está orçado em US$ 4 bilhões pela mineradora Vale e sua parceira, a siderúrgica sul-coreana Dongkuk.

O cronograma prevê a entrada em operação da CSP em 2013, com produção estimada em três milhões de toneladas de placas de aço por ano na primeira fase. Em uma segunda etapa, a usina permite a ampliação para seis milhões de toneladas. Além de placas de aço, a siderúrgica produzirá energia elétrica para consumo próprio, sendo que o excedente será disponibilizado ao mercado nacional.

O projeto sempre teve presença da Vale, mas originalmente a mineradora entraria como sócia minoritária, com apenas 7%, enquanto a coreana Dongkuk e a italiana Danieli & C. Officine Meccaniche seriam as controladoras. Nesta nova fase, a Vale ainda não informou a divisão acionária do projeto com a Dongkuk. A assessoria da mineradora disse apenas que a empresa permanece minoritária.

A usina previa subsídio da Petrobrás no fornecimento do gás, que seria usado tanto como energia como no processo de produção do aço. Com a escassez do gás em 2007, a Petrobrás desistiu do projeto, que acabou sendo bastante modificado.

Na época, os controladores da siderúrgica diziam que a indústria só era viável no Ceará caso houvesse o subsídio do gás. Segundo a Vale, a escolha do Estado para o projeto teve como pano de fundo a localização favorável à exportação. Além da CSP, a mineradora brasileira tem em seu plano estratégico outros três projetos siderúrgicos: a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio; a Companhia Siderúrgica de Vitória, no Espírito Santo; e a Aços Laminados do Pará.

"Faz parte da estratégia da Vale incentivar novos projetos siderúrgicos no Brasil, um dos países que possuem o mais baixo custo de produção, através de participações minoritárias temporárias com o objetivo de ser fornecedor exclusivo de minério de ferro e pelotas", destacou a companhia, em nota.

Os quatros projetos em desenvolvimento pela Vale devem agregar 15,5 milhões de toneladas de aço à indústria brasileira, um aumento de pouco mais de 50% na atual capacidade de produção siderúrgico do País. A expectativa é de que cada usina crie entre 10 mil e 25 mil empregos durante a fase de construção.

Ao longo de 2009, a companhia foi alvo de pesadas críticas do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou mais investimentos da Vale nesse setor. O armistício entre Lula e o presidente da mineradora, Roger Agnelli, veio empacotado em outubro em um orçamento recorde para 2010 de US$ 12,9 bilhões, que incluía o desenvolvimento de todos os quatro projetos siderúrgicos em pauta da empresa. COLABOROU DÉBORA THOMÉ

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