Após rompimento, grupo aluga prédio e remonta estrutura

Depois de briga pelo direito de usar aparelhos deixados no IINN, pesquisadores retomam produção na UFRN

Herton Escobar, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2012 | 02h07

A relação da ex-equipe do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN) com Miguel Nicolelis continuou conflituosa após o rompimento, em julho de 2011. O grupo se mudou para o Instituto do Cérebro (ICE) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Só que o instituto, naquele momento, só existia administrativamente - não tinha prédio nem salas nem equipamentos. A equipe se instalou num prédio alugado de 860 m² fora do câmpus, que antes abrigava uma clínica de acupuntura, e começou a improvisar laboratórios para continuar trabalhando.

Dificuldades. Vários equipamentos caros, que haviam sido comprados com dinheiro público para o projeto do IINN, ficaram inacessíveis dentro do prédio do instituto, dificultando a continuidade das pesquisas.

Depois de uma longa briga pela posse e direito de uso dos equipamentos, a UFRN recebeu em julho deste ano um repasse de R$ 1,3 milhão do Ministério da Educação (MEC), que foi usado para comprar vários equipamentos iguais aos do IINN, como microscópios de alta tecnologia, computadores, eletrodos e sistemas avançados de eletrofisiologia, utilizados para registrar e analisar a atividade elétrica do cérebro de animais.

Apesar do espaço improvisado, o grupo continuou a produzir trabalhos científicos (30 desde agosto de 2011) e até cresceu. Atualmente, segundo o diretor Sidarta Ribeiro, o ICE tem 12 professores em atividade (eram 9 no IINN) e 6 concursados, que começarão em 2013 - além de 7 pós-doutorandos, 30 doutorandos, 20 mestrandos, 34 alunos de iniciação científica e corpo técnico, chegando a 151 pessoas.

"Após 18 meses, conseguimos instalar a infraestrutura necessária e hoje temos quase todas as áreas de pesquisa em plena atividade", diz Ribeiro. Para ele, a missão de criar um grupo de pesquisa e formação em neurociências no Nordeste foi cumprida; o projeto só mudou de endereço.

O índice H médio dos pesquisadores é 12, variando entre 3 e 29. Um dos trabalhos mais recentes da equipe, publicado em outubro na revista Nature Neuroscience, é de coautoria do casal Richardson e Katarina Leão, cujo laboratório no ICE foi improvisado dentro do banheiro da antiga clínica de acupuntura, com uma jacuzzi coberta por um tampão para funcionar como mesa.

Ampliações. Para aumentar a área de trabalho do prédio, a universidade comprou com dinheiro do MEC nove contêineres de 15 m², por R$ 30 mil cada um, que estão sendo instalados na área externa do prédio para funcionar como escritórios para professores e alunos.

É um alojamento temporário. A expectativa é de que em seis meses se inicie a construção de um prédio permanente para o ICE dentro do câmpus da UFRN, com 6 mil m². O projeto está orçado em R$ 10 milhões, também custeados pelo MEC.

Ao mesmo tempo, Nicolelis coordena um projeto em parceria com a UFRN para construção de um prédio de pesquisa de 14 mil m² na zona rural de Macaíba, cidade vizinha a Natal, em terreno cedido pela universidade. O projeto, chamado Câmpus do Cérebro, também é financiado pelo MEC e já recebeu mais de R$ 48 milhões da pasta. Além do prédio de pesquisa, o câmpus terá uma escola para 1,5 mil alunos. A inauguração, segundo o MEC, está prevista para 2015.

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