Após suspense, veículo exploratório da Nasa pousa em Marte e envia fotos

O laboratório móvel Curiosity, da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa), pousou dentro de uma cratera de Marte, na madrugada de ontem. Ainda não se sabe qual é o estado exato do veículo de US$ 2,5 bilhões (pouco mais de R$ 5 bilhões), mas o fato de ele ter sobrevivido aos "7 minutos de terror", nome dado à operação de pouso, foi comemorado por cientistas e engenheiros assim que os primeiros dados chegaram.

PASADENA, EUA, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h02

A descida e o pouso foram monitorados pelo orbitador Odyssey, o que permitiu ao Curiosity enviar fotos - em preto e branco e tiradas com lente grande-angular, que distorce a imagem para abarcar melhor o panorama - minutos após tocar o solo.

Duas horas depois, o Odyssey voltou a sobrevoar o local e obteve imagens com maior definição. Em breve, espera-se o envio de fotos coloridas e vídeos.

"É um grande dia para o povo americano", celebrou o administrador da Nasa, Charles Bolden. O presidente Barack Obama, cujo governo vem diminuindo de forma constante os gastos com o programa de exploração de Marte, parabenizou os cientistas em nota.

"Mesmo a chance mais remota não é páreo para nossa mistura única de engenhosidade e determinação", afirmou Obama, completando que o feito é um "orgulho nacional" a ser lembrado no futuro.

O gerente da missão, Mike Watkins, explicou que, após a emoção do pouso, os próximos passos são "um pouco chatos": uma checagem dos sistemas para determinar se o Curiosity está funcionando em sua totalidade, a começar pela sua capacidade de se comunicar com a Terra.

De acordo com informações do líder científico da missão, John Grotzinger, essa fase de checagem de instrumentos, que antecede a viagem do Curiosity pela Cratera Gale, deve durar algumas semanas.

Os cientistas da Nasa ainda não determinaram se o Curiosity pousou em um areal plano ou sobre rochas - o que tornaria sua movimentação mais difícil -, mas supõem que ele esteja próximo de seu destino, uma montanha de 4,8 quilômetros de altura chamada Aeolis Mons, ponto mais alto da cratera. Mesmo assim, ele só deve chegar lá após um ano de pesquisas.

Respostas. Descrita por membros do alto escalão da Nasa como "a missão da década", o Curiosity deve procurar por condições favoráveis à vida. Também vai investigar como e por que Marte se tornou o lugar seco e gelado que é hoje, após ter sido úmido e quente. O sucesso da missão também pode acelerar os planos de uma missão tripulada ao planeta vermelho.

A nave que levou o laboratório móvel a Marte viajou por cerca de 570 milhões de quilômetros em pouco mais de oito meses, desde o dia 26 de novembro. O pouso ocorreu às 2h32 de ontem (horário de Brasília), de acordo com os planos da Nasa.

O pouso bem-sucedido fez com que as dezenas de cientistas trocassem abraços, sorrisos e cumprimentos.

"O time foi à Olimpíada sem ter certeza do sucesso", disse o diretor do Laboratório de Propulsão a Jato, Charles Elachi. "Mas voltou com a medalha de ouro." / NYT e AP

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