Após tragédia no Rio, governo quer ampliar ação de desarmamento

Depois da tragédia que vitimou 12 crianças em uma escola na zona oeste do Rio de Janeiro, o governo federal anunciou que pretende antecipar a campanha de desarmamento e que estuda aumentar o valor das indenizações para quem entregar armas de fogo às autoridades.

REUTERS

11 de abril de 2011 | 19h19

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniu na segunda-feira com os representantes da ONG Viva Rio e do Instituto Sou da Paz e definiu a criação de um conselho nacional que vai envolver cerca de 15 entidades civis para discutir a campanha nacional de desarmamento e as políticas públicas nessa área.

Cardozo anunciou que na próxima segunda-feira será definida a provável antecipação da campanha de desarmamento deste ano, de junho para 6 de maio.

"Já ficou caracterizado que com essas campanhas temos uma redução muito forte da mortalidade", disse o ministro.

Na semana passada, um homem armado invadiu uma escola municipal no bairro de Realengo, abriu fogo e matou 12 alunos, deixando outros 12 feridos. O autor dos disparos se suicidou após o ataque.

Além da antecipação da campanha, que funcionaria até o fim deste ano, o governo também estuda mudanças na forma e no valor das indenizações que serão pagas.

Nas últimas ações, as pessoas que entregavam as armas ao poder público recebiam entre 100 e 300 reais e demoravam até três meses para ter acesso à indenização. O governo analisa a necessidade de aumentar esses valores e procura junto ao Banco do Brasil uma maneira de agilizar o pagamento.

Outro aspecto que será estudado nesta semana é o recebimento de munição, também por meio de indenização. Segundo Cardozo, isso ainda depende de avaliações técnicas (o que fazer com a munição recolhida) e financeiras (quanto pagar pela munição).

O governo já tem reservado no Orçamento deste ano 10 milhões de reais para pagamento de indenizações, mas estuda ampliar esse valor.

O presidente da ONG Viva Rio, Antonio Rangel, salientou que a campanha de 2011 pode ter mais resultados que nos anos anteriores. "Infelizmente, essas campanhas ganham êxito quando acontecem tragédias."

Segundo o Ministério da Justiça, na primeira campanha de desarmamento, de 2004 a 2005, foram recolhidas 500 mil armas.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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