Apreensão de ecstasy no Galeão é histórica, diz polícia

O universitário José Luís Aromatis foi flagrado com 41 mil comprimidos da droga quando voltava de Amsterdã

PEDRO DANTAS, Agencia Estado

21 de maio de 2008 | 12h28

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira, 21, a maior apreensão de ecstasy da história do Aeroporto Internacional Tom Jobim. O universitário José Luís Aromatis, de 26 anos, foi flagrado com 41 mil comprimidos da droga quando desembarcava de Amsterdã, após conexão em Paris. Além da droga, o jovem carregava na bagagem 17,5 mil pontos de LSD e 310 gramas de skunk. "O perfil do traficante de drogas sintéticas é este. Jovens de classe média, que sonham com o enriquecimento fácil. Estamos investigando se haveria algum evento onde o entorpecente seria vendido, pois geralmente a droga está associada a festas de música eletrônica", disse o delegado da Polícia Federal Agostinho Gomes Cascardo Júnior. De acordo com agentes que realizaram a apreensão, a grande quantidade de material orgânico, o skunk, foi detectado pelo raio-X e denunciou o estudante. Os policiais abordaram o jovem quando ele já se preparava para passar pela Receita Federal. Os entorpecentes estavam embalados em plástico dentro de um saco de dormir térmico. Estudante de publicidade de uma faculdade particular, o universitário não reagiu à prisão. A polícia estima que ele gastou R$ 400 mil na compra da droga avaliada no Brasil em R$ 4 milhões. "Apenas a pílula de ecstasy custa cerca de R$ 50 no mercado", estimou o delegado. De acordo com a Polícia Federal, este ano já foram presos mais que o dobro de traficantes de drogas no Aeroporto Tom Jobim em comparação ao mesmo período do mês passado. Em 2007, 74 pessoas foram presas por tráfico. Até agora, 63 pessoas, 40 homens e 23 mulheres, já foram flagrados embarcando ou desembarcando com entorpecentes no Galeão. "Acredito que prenderemos o dobro de pessoas em relação ao ano passado", avaliou Cascardo Júnior. Esta foi a primeira apreensão de drogas sintéticas este ano no Galeão. No final do ano passado, a PF apreendeu no aeroporto 30 mil comprimidos de ecstasy. O recorde ainda pertence a PF de São Paulo que apreendeu 26 quilos de Aeroporto de Guarulhos, em março de 2007.  Em junho do ano passado, em duas apreensões em menos de 24 horas, a PF apreendeu no aeroporto de Cumbica 23 quilos de ecstasy - cerca de 90 mil comprimidos. A droga foi trazida por dois brasileiros que chegavam da Europa (Holanda e Espanha). Em agosto, outra grande apreensão em Cumbica: 84 mil comprimidos encontrados na bagagem de dois franceses. O aumento de apreensões de ecstasy e LSD também em favelas do Rio tem surpreendido a polícia. Até então, as drogas sintéticas costumavam ser distribuídas por jovens da classe média.  Em 9 de maio, policiais civis apreenderam grande quantidade de comprimidos de ecstasy no Morro da Pedreira, no subúrbio do Rio, numa operação para combater o tráfico. Além da droga sintética, foram apreendidos 30 quilos de maconha. Sete morreram no confronto. Em 20 de abril, numa apreensão na Vila Cruzeiro, além de comprimidos de ecstasy havia 480 pedras de crack, batizadas com o nome de craques do futebol, como "Fenômeno 25" e "Thierry Henry 10".

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