Aprovação de Tabaré beneficia Mujica

Candidato uruguaio também lucra com recuperação econômica

Ariel Palacios, MONTEVIDÉU, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2009 | 00h00

A expansão econômica e a popularidade do governo de Tabaré Vázquez estão ajudando o candidato governista, José Mujica, nas eleições uruguaias, segundo analistas. Cinco anos após assumir a presidência, Tabaré, um socialista moderado da coalizão Frente Ampla, tem 64% de aprovação, segundo a consultoria Estudos Mori.

O índice do atual presidente é muito maior que o de seu antecessor, Jorge Battle (2000-2005), no final de seu mandato - menos de 15%. Mas enquanto Battle enfrentou uma forte recessão, secas e inundações, Tabaré pegou carona na expansão econômica mundial da segunda metade da década. Desde que ele foi eleito, as reservas do Banco Central passaram de US$ 2,5 bilhões para US$ 8 bilhões.

"A recuperação econômica levará grande parte do eleitorado uruguaio a votar em Mujica", disse ao Estado o cientista político Gerardo Caetano. Ex-guerrilheiro tupamaro, Mujica elegeu como vice em sua chapa Danilo Astori, ex-ministro da Economia responsável pela recuperação do país, numa tentativa de garantir até a confiança do empresariado.

RECUPERAÇÃO

A crise global iniciada em 2008 teve um impacto leve no Uruguai. O país deve ter uma expansão de 1,3% na economia este ano, segundo projeções do governo. Alguns economistas falam num crescimento de até 1,8% em 2009 e 3% em 2010.

Somados aos 27,7% de crescimento acumulado entre 2004 e 2008, a gestão Tabaré pode ser encerrada com um aumento de quase 30% do PIB. O desemprego, que havia disparado no governo Batlle (quando chegou a 20%) caiu dos 13,1% de 2004 para 7,2%, em 2008. O salário real aumentou em 20% no mesmo período. E os índices de pobreza caíram de 31,9% para 20%.

"Meu pai tinha três empregos para manter a família e agora, graças a este governo, só precisa de um", disse a estudante Stefani Medina, de 18 anos, que participava do comício de encerramento da campanha de Mujica no centro de Montevidéu. "Cinco anos de governo são pouco para consolidar essa estabilidade econômica. Por isso apoio uma segunda gestão da Frente Ampla."

"Tabaré soube aproveitar a conjuntura mundial para crescer. Outros países na região não souberam fazer isso", diz o economista Gabriel Oddone, da consultoria CP Ferrere. Para ele, Tabaré "foi excelente na macroeconomia, pois fortaleceu o setor financeiro e a questão fiscal, sendo cauteloso no endividamento público".

"Só houve relaxamento nos últimos meses, quando o governo aumentou os gastos de olho nas eleições, mas até nisso eles tiveram sorte - pois essa expansão coincidiu com a crise e ajudou a sua superação", afirma Oddone. O analista também elogia as reformas tributária e do Estado promovidas pelo atual governo.

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