Aquecimento global não é provocado pelo Sol, diz estudo

Atividade do astro diminuiu nos últimos 20 anos, embora temperatura aumentou

BBC

11 Julho 2007 | 09h39

Um novo estudo científico concluiu que mudanças na atividade do Sol não podem estar causando mudanças climáticas no mundo moderno. O estudo mostra que nos últimos 20 anos a atividade do Sol diminuiu, embora temperaturas na Terra tenham aumentado. Ele mostra ainda que as temperaturas modernas não são determinadas pelo efeito do Sol em raios cósmicos (um tipo de radiação emitida por estrelas e galáxias), como foi alegado. Por esta teoria, os raios cósmicos ajudam a formação das nuvens ao fornecer pequenas partículas em torno das quais o vapor d´água pode se condensar. De maneira geral, as nuvens resfriam a Terra. Durante certos períodos de atividade solar, raios cósmicos são bloqueados parcialmente pela maior intensidade do campo magnético do Sol. A formação de nuvens diminui e a Terra se aquece. Em artigo na revista científica da Sociedade Real Proceedings A, os pesquisadores dizem que raios cósmicos podem ter afetado o clima no passado, mas não no presente. "Isto deve resolver o debate", disse Mike Lockwood, do Laboratório Rutherford-Appleton, no Reino Unido, que realizou o novo estudo juntamente com Claus Froehlich, do World Radiation Center, na Suíça. Lockwood iniciou o estudo em parte como resposta ao documentário The Great Global Warming Swindle (A Grande Enganação do Aquecimento Global), exibido na televisão britânica, que apresentou a hipótese dos raios cósmicos. "Todos os gráficos que eles mostraram paravam por volta de 1980, e eu sei por que - é porque as coisas mudaram depois daquilo", disse Lockwood. "Não se pode ignorar dados de que não se gosta", afirmou. Tendência A principal abordagem dos cientistas nesta nova análise é simples: observar a atividade do Sol e a intensidade dos raios cósmicos nos últimos 30 ou 40 anos, e comparar estas tendências com o gráfico para média global das temperaturas da superfície, que aumentou cerca de 0,4 graus nesse período. O Sol varia em um ciclo de cerca de 11 anos entre períodos de atividade intensa e baixa. Mas este ciclo ocorre junto com outras tendências de longo prazo e a maior parte do século 20 viu um aumento leve, mas persistente, da atividade solar. Mas por volta de 1985, esta tendência parece ter se revertido, com a atividade solar diminuindo. Apesar disso, neste período temperaturas subiram tão depressa, ou talvez até mais depressa, do que qualquer época nos cem anos anteriores. "Este estudo reforça o fato de que o aquecimento nos últimos 20 ou 40 anos não pode ter sido causado por atividade solar", disse Piers Forster, da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, um dos principais cientistas que contribuíram para a avaliação científica do clima feita pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês). O relatório do IPCC apresentado em fevereiro concluiu que gases do efeito estufa eram cerca de 13 vezes mais responsáveis do que as mudanças no Sol pelo aumento das temperaturas na Terra. Mas a organização foi criticada em algumas áreas por não levar em conta a hipótese dos raios cósmicos, desenvolvida por, entre outros, Henrik Svensmark e Eigil Friis-Christensen, do Centro Espacial Nacional da Dinamarca. A análise de Mike Lockwood parece ter colocado um grande fim nesta hipótese intrigante. "Eu acho que há um efeito dos raios cósmicos sobre a cobertura oferecida por nuvens. Funciona no ar marítimo limpo, onde não há muito mais onde o vapor d´água pode se condensar", afirmou. "Pode até ter tido um efeito significativo no clima pré-industrial. Mas não se pode aplicar isto ao que estamos vendo agora, porque estamos em uma situação completamente diferente." Svensmark e Friis-Christensen não foram encontrados para comentar o caso.

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