Aquecimento global pode alimentar conflitos e terrorismo

O aquecimento global pode exacerbar a desigualdade entre ricos e pobres e alimentar o terrorismo nos países mais atingidos, disseram especialistas em segurança e em meteorologia, nesta quarta-feira, 24. "Temos de levar em conta a propensão humana para a violência", disse Crispin Tickell, ex-embaixador da Grã-Bretanha na ONU, na conferência "Alterações Climáticas: O Impacto na Segurança Global", em Londres. Ele citou Ruanda e Darfur, no Sudão, como dois exemplos onde a seca e a superpopulação alimentaram conflitos. Especialistas que participaram da conferência afirmaram ser provável que o aquecimento global dê origem a grandes fluxos de refugiados, conforme as pessoas tentam fugir das áreas inundadas pela elevação do nível do mar, ou transformadas em regiões inabitáveis pela desertificação. Tickell disse que há a possibilidade de que terroristas tentem explorar as tensões que serão criadas. "Quem sofrer de falta de comida, falta de água, quem não puder se mudar para países onde tudo parece maravilhoso, vai adotar medidas desesperadas". John Mitchell, cientista-chefe do Escritório de Meteorologia britânico, lembrou que a Al-Qaeda já incluiu os danos ambientais em sua litania de ressentimentos contra os Estados Unidos. "Vocês destruíram a natureza com seu lixo e seus gases industriais, mais que qualquer outro país na história. Apesar disso, recusam-se a assinar o tratado de Kyoto, para garantir o lucro de suas empresas e indústrias gananciosas", escreveu o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, numa "carta ao povo americano", em 2002. Mitchell afirmou que as regiões do Mediterrâneo e do Oriente Médio devem registrar menos chuvas, o que aumentará as tensões ligadas ao fornecimento de água.

Agencia Estado,

24 de janeiro de 2007 | 17h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.