Aracruz volta ao lucro após três trimestres de perdas

Após apurar prejuízo líquido por três trimestres consecutivos, em razão de perdas financeiras bilionárias decorrentes de operações com derivativos, a Aracruz reverteu o resultado final no segundo trimestre deste ano, beneficiada pelo impacto positivo da valorização do real frente ao dólar no endividamento.

STELLA FONTES, REUTERS

16 Julho 2009 | 11h36

Entre abril e junho, a maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto registrou ganho líquido de 595,5 milhões de reais, ante prejuízo de 1,7 milhão de reais nos três primeiros meses de 2009. No segundo trimestre do ano passado, a empresa teve lucro de 262,1 milhões de reais, o último resultado trimestral positivo até igual intervalo de 2009.

Segundo a Aracruz, o lucro no segundo trimestre foi impulsionado pelos ganhos financeiros com a valorização do real, o que teve impacto positivo sobre a parcela da dívida expressa em dólares.

No intervalo, a Aracruz apurou receita financeira líquida de 894,7 milhões de reais, ante despesa financeira líquida de 50,3 milhões de reais no primeiro trimestre deste ano e resultado financeiro positivo de 241,9 milhões no segundo trimestre de 2008.

Na linha de variações monetárias e cambiais, a empresa registrou receitas de 863,8 milhões de reais no segundo trimestre, diante da valorização de 16 por cento do real frente ao dólar.

Em 30 de junho, a dívida bruta da Aracruz, incluindo 50 por cento da Veracel, joint venture com a sueco-finlandesa Stora Enso, era de 8,158 bilhões de reais, 1,341 bilhão de reais abaixo do endividamento apurado no final de março.

A Aracruz firmou neste ano acordo com bancos que foram contraparte em operações alavancadas com derivativos para pagamento ao longo de nove anos da dívida gerada a partir dessas transações.

O lucro líquido da Aracruz, que abriu a temporada de balanços entre as companhias do Ibovespa, ficou ligeiramente acima da média das projeções de três instituições financeiras consultadas pela Reuters, que apontava para 562 milhões de reais. As previsões variaram de pouco mais de 500 milhões de reais a 730 milhões de reais.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de 205,9 milhões de abril a junho, 42 por cento inferior ao registrado há 1 ano. Ainda assim, superou a expectativa média de quatro corretoras, de 179 milhões de reais.

As ações da empresa reagiam em alta ao balanço, com valorização de 1,29 por cento, a 3,14 reais, contra queda de 0,14 por cento do Ibovespa, às 11h26.

RESULTADO OPERACIONAL

O volume de vendas de celulose da Aracruz, incluindo a parcela na Veracel, cresceu 8 por cento no segundo trimestre na comparação com igual intervalo de 2008, para 832 mil toneladas. Mas a alta no volume não foi suficiente para compensar o preço em dólares menor da matéria-prima.

Conforme a empresa, o preço médio em moeda estrangeira recuou 36 por cento nessa base de comparação. Dessa forma, a receita líquida da Aracruz entre abril e junho recuou 12 por cento ante um ano antes, para 780,4 milhões de reais, mesmo com o recorde nas vendas em volume para um segundo trimestre.

A Aracruz informou que a demanda global por celulose recuou 6,6 por cento até maio, enquanto a demanda mundial por celulose branqueada de eucalipto avançou 11 por cento.

Na composição de vendas da Aracruz no trimestre, os embarques elevados para a China mantiveram a Ásia como destino de 45 por cento do total vendido pela empresa. Ao final de junho, os estoques da companhia estavam em 42 dias de produção, uma queda de sete dias na comparação com março.

(Edição de Cesar Bianconi)

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