Arcebispo de Aparecida é eleito novo presidente do Celam

D. Raymundo Damasceno Assis é primeiro brasileiro a ocupar o cargo desde 1979

José Maria Mayrink, enviado especial

12 Julho 2007 | 00h07

O novo presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), d. Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, disse que a principal missão do organismo será aplicar as orientações e metas pastorais aprovadas pela 5.ª Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, que se reuniu em maio em Aparecida. Primeiro brasileiro a ocupar o cargo desde 1979, quando o cardeal Aloísio Lorscheider foi presidente, o mineiro d. Damasceno, de 69 anos, foi secretário-geral do Celam e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), currículo que, em sua avaliação, levou os participantes da Assembléia Ordinária do Celam, em Cuba, a escolher o seu nome. D. Damasceno foi eleito em terceiro escrutínio, concorrendo com o mexicano d. Carlos Aguiar, bispo de Texcoco, vice-presidente nos últimos quatro anos. A seguir, a entrevista que deu ao Estado em Havana, logo após a eleição. Com sua eleição, um brasileiro volta à presidência do Celam. Retoma-se o revezamento entre bispos de língua portuguesa e de língua espanhola após 28 anos? Os bispos têm seus critérios. Não houve oficialmente apresentação de nenhum candidato. Imagino que levaram em conta a minha experiência de secretário-geral, embora tenha passado já muito tempo. Terminei o mandato em 1995. Fui secretário também da Conferência de Santo Domingo (1992). Depois, fui secretário-geral da CNBB por oito anos, em dois mandatos. Agora em maio, fui o anfitrião da visita do papa a Aparecida e também da 5.ª Conferência. Tudo isso é uma série de fatores que deve ter levado os bispos a tomar sua decisão. O senhor continua responsável por Aparecida, mas terá de trabalhar também em Bogotá, onde fica a sede do Celam? Continuo como arcebispo de Aparecida e como presidente do Celam terei algumas atividades a mais. Terei de ir a Bogotá pelo menos a cada dois meses. O Celam tem duas reuniões por ano da direção com os presidentes e os demais membros de seus departamentos. O grande trabalho para o Celam já nos foi dado, de certo modo, pela Conferência de Aparecida. Será a aplicação das conclusões do documento final, que foi aprovado pelo papa. Caberá a esta assembléia que estamos fazendo em Havana dar algumas orientações para a elaboração do plano global do Celam para os próximos quatro anos. Depois faremos uma reunião com todas as comissões e departamentos, em Bogotá, provavelmente no início de agosto, para a aplicação dessas orientações, sugestões e prioridades. O Celam tem desafios pela frente na América Latina. O Documento de Aparecida vai facilitar sua ação? Facilita. A terceira parte do documento final aponta as pastorais e também certos campos de trabalho que devem ser priorizados pela Igreja. Por exemplo, o meio universitário, o mundo da juventude e a questão do meio ambiente. Também a justiça social, por causa das grandes diferenças sociais que há em toda a América Latina, diferenças escandalosas que não conseguimos ainda superar. As pastorais sociais serão acentuadas a partir da eleição da nova direção do Celam. Os presidentes e delegados das 22 conferências episcopais que participam da assembléia darão um informe sócio-eclesial sobre seus países. Isso vai pesar nas sugestões que essa assembléia deve dar para a nova presidência. O Celam será um interlocutor da Igreja com os governos? O diálogo com os governos se dá em âmbito nacional ou com os bispos em cada diocese. Fundamentalmente, o Celam é um organismo de serviço às conferências episcopais de cada país. Esse serviço se presta de diversas maneiras. Por exemplo, com estudos e reflexões sobre temas comuns de nosso continente. Para subsidiar as conferências, nós temos o Centro Observatório, cujo objetivo é fornecer elementos aos bispos sobre determinados assuntos, vistos sob a ética cristã. Promovemos seminários e encontros, cumprindo a programação que for aprovada na reunião de coordenação geral e mais alguma sugestão que vier a ser feita agora com base no documento da Conferência de Aparecida, como também algum encargo que a Santa Sé possa dar ao Celam em relação à Igreja na América Latina e no Caribe. A função do Celam não é dialogar com os governos, a não ser que seja solicitado pelas conferências episcopais. A presidência do Celam terá algum contato com as autoridades cubanas? O protocolo prevê que os bispos mandem alguma mensagem ao presidente Fidel Castro? Estamos vendo se há algum protocolo a ser cumprido após essa eleição, como alguma comunicação à Santa Sé e às conferências episcopais. Não sei como é em relação ao governo local. Teremos de nos informar primeiro.

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