Argentina comemora com novo papa

Catedral de Buenos Aires ficou lotada de fiéis emocionados; em nota curta, presidente Cristina Kirchner felicita pontífice

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h24

Surpresa e comemorações na Argentina marcaram a escolha de Jorge Mario Bergoglio. Houve longa ovação, aplausos, choros e cantos dos fiéis que chegaram à Catedral de Buenos Aires, em frente à histórica Praça de Maio. Na medida em que a notícia se espalhou, as pessoas se aproximaram da catedral, que ficou lotada. A imprensa também se amontoou na porta da Catedral.

Bergoglio é considerado um homem humilde pelos fiéis da Igreja Católica na Argentina. "Era um homem igual a gente. Sempre humilde e nunca se colocou em uma posição distante do povo", disse Aurora Valentin, que passava pela praça quando soube da notícia. Os jornalistas locais também não dissimulavam a euforia pela escolha: "É argentino. O papa é argentino!", gritou Carlos Lamiral, repórter da agência de notícias DyN.

Pelas ruas de Buenos Aires houve um ensaio de buzinaço e vários gritos de pessoas que passavam dentro dos carros. Havia comoção no centro da cidade e nas imediações da catedral, além do bairro de Flores, onde viveu Bergoglio. Enquanto o mundo e os argentinos conheciam o nome do novo papa, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, mandava mensagens pelo Twitter sobre a Televisão Digital Aberta.

Mais de uma hora depois, a presidente divulgou, também pelo Twitter a mensagem que enviou à Bergoglio: "Em meu nome e do governo argentino e em representação do nosso país, quero cumprimentá-lo e expressar-lhe meus parabéns por ter sido eleito", publicou em seu microblog. "É nosso desejo que tenha, ao assumir a condução e guia da Igreja, uma frutífera tarefa pastoral, desempenhando responsabilidades tão grandes em favor da justiça, igualdade, fraternidade e de paz da humanidade." Cristina concluiu sua mensagem manifestando "consideração" e "respeito" à Sua Santidade.

O porta-voz da Igreja Católica, Jorge Oesterheld, porta-voz da Igreja, disse que o ex-cardeal vai levar ao Vaticano "uma marca própria linda". A União Industrial Argentina (UIA) emitiu uma nota celebrando "com alegria e emoção" a eleição do cardeal Bergoglio. "Esta entidade está convencida de que seu pontificado será uma contribuição fundamental não só para o fortalecimento da Igreja, mas também para a integração de todos os latino-americanos", disse a UIA.

Ex-porta-voz da Igreja, Gustavo Boquín também ressaltou a humildade de Bergoglio e contou que ele usava transporte público, como metrô e ônibus e caminhava pelos bairros para visitar as paróquias. "É um homem de austeridade e dedicação à vida pastoral", disse Boquín.

Segundo ele, a rotina de Bergoglio começa às 4h30 da manha e termina às 21 horas. Também relatou que o novo papa é fã de ópera e gosta de ler escritores argentinos como Jorge Luis Borges e Leopoldo Marechal, além do russo Fiodor Dostoievsky.

Imprensa. Nos primeiros instantes após o anúncio, os jornais argentinos deram destaque à reação dos kirchneristas. Segundo o Clarín, a escolha do novo papa ocorria em meio a uma homenagem a Hugo Chaves na Câmara de Deputados - que a oposição, sem sucesso, tentou interromper para acompanhar as primeiras palavras do papa argentino. A imprensa local, porém, poupou Bergoglio de menções à acusação de complacência com a ditadura militar. Mesmo o Página 12, que costuma fazer duras críticas ao passado do novo pontífice, fez referência discreta.

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