Argentina defende que Mercosul substitua importações

A Argentina propôs na terça-feira que os países do Mercosul se empenhem em substituir suas importações por produtos locais, além de impor "medidas comerciais defensivas" para proteger sua indústria.

DANIELA DESANTIS, REUTERS

28 Junho 2011 | 17h58

Representantes do bloco comercial sul-americano --que inclui também Brasil, Paraguai e Uruguai-- reuniram-se em Assunção para discutir o comércio regional, antes de uma encontro de cúpula entre presidentes de países do bloco na quarta-feira.

"O bloco precisa aprofundar o processo de substituição de importações de produtos de fora da zona, de modo a aumentar a escala da produção dentro da zona", disse a ministra argentina da Indústria, Débora Giorgi, em nota.

Essa política, segundo ela, aumentaria a competitividade da região e a ajudaria a se integrar à economia mundial.

Fernando Masi, funcionário do ministério paraguaio da Indústria, disse a jornalistas que os produtos baratos importados da China são uma preocupação específica.

"Há muitos problemas no sentido de que o Mercosul tem poucas defesas contra a invasão de produtos chineses", disse ele a jornalistas.

"Eles (os ministros) não conversaram sobre uma proposta precisa, mas a Argentina trouxe a ideia de melhorar os instrumentos comerciais defensivos."

Também está na pauta da reunião a proposta argentina de uma política automotiva unificada para o bloco.

Neste mês, Argentina e Brasil deram passos para resolver suas disputas nessa área, embora ainda permaneçam barreiras no comércio de veículos e autopeças, o que está no centro da polêmica, especialmente desde que no mês passado Brasília decidiu adiar a concessão de autorizações para a importação de carros.

A disputa chama a atenção de investidores internacionais preocupados com o crescente protecionismo nos mercados emergentes, num momento em que distorções cambiais e disparidades no crescimento global causam tensões econômicas.

"O problema é que não há um mecanismo crível dentro do Mercosul para resolver disputas comerciais", disse Boris Segura, economista-sênior da Nomura International Securities.

"Então, se o comércio aumenta dentro do bloco, deve haver mais guerras comerciais entre os membros."

Argentina e Brasil tiveram um comércio bilateral em torno de 32 bilhões de dólares em 2010, com um superávit de 4 bilhões de dólares a favor do Brasil.

As montadoras argentinas enviam cerca de 80 por cento da sua produção de veículos para o Brasil, e esse setor tem sido crucial para o crescimento econômico argentino nos últimos anos.

"O comércio intra-Mercosul tem sido uma das chaves para superar a crise internacional, razão pela qual buscamos diferentes ferramentas para nos ajudar a continuar avançando. Uma delas tem a ver com o comércio em moeda local", disse o ministro argentino da Economia, Amado Boudou.

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