Argentinos comemoram novo papa

Catedral de Buenos Aires ficou lotada de fiéis emocionados; houve buzinaço e euforia nas ruas

O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h17

Surpresa e comemorações na Argentina marcaram a escolha de Jorge Mario Bergoglio. Houve longa ovação, aplausos, choros e cantos dos fiéis que chegaram à Catedral de Buenos Aires, em frente à histórica Praça de Maio.

Na medida em que a notícia se espalhou, as pessoas se aproximaram da catedral, que ficou lotada. "Bergoglio, Bergoglio", gritavam os fiéis, erguendo bandeiras argentinas.

O novo papa é considerado um homem humilde pelos fiéis da Igreja Católica na Argentina. "Era um homem igual a gente. Sempre humilde e nunca se colocou em uma posição distante do povo", disse Aurora Valentin, que passava pela praça quando soube da notícia. A confirmação de Bergoglio para a liderança da Igreja também atraiu a imprensa para a praça. Os jornalistas locais não dissimulavam a euforia pela escolha: "É argentino. O papa é argentino!", gritou Carlos Lamiral, repórter da agência de notícias DyN.

A frase "O papa é argentino" era ouvida por outros moradores mais fervorsos da capital argentina, como os que se debruçavam nas janelas dos apartamentos no bairro de Palermo. Pelas ruas de Buenos Aires houve um ensaio de buzinaço e vários gritos de pessoas que passavam dentro dos carros. Havia comoção no centro da cidade e nas imediações da catedral, além do bairro de Flores, onde viveu Jorge Mario Bergoglio.

A manicure Mercedes Alarcón chorou ao ouvir a notícia no rádio: "O papa é argentino. Ah meu Deus, argentino. E ele está dizendo que a igreja foi buscar o papa no fim do mundo. Como é inteligente e que bom humor que ele tem", afirmou Alarcón.

Rivalidade. O novo Papa é torcedor do time São Lorenzo e em 2008, no centenário do clube, ganhou uma carteirinha do clube azul e vermelho. O sacerdote foi então fotografado com a batina e mostrando a camiseta do clube. "Estou emocionado. O Papa é argentino e de São Lorenzo", publicou o popular apresentador de televisão Marcelo Tinelli em sua conta no Twitter. "Eu também estou emocionado. Pelo menos nessa ganhamos do Brasil", disse, rindo, o comentarista esportivo da TN.

Até políticos comentaram o resultado do conclave com humor, lembrando a rivalidade com o Brasil - até ontem, o brasileiro d. Odilo scherer era indicado como favorito para a nomeação . "O Vaticano nomeou Bergoglio como represália contra a saída da (empresa brasileira) Vale da Argentina e para não dar o título a Messi", ironizou o político Jorge Altamira, de esquerda.

Outros políticos argentinos comentaram a escolha de Bergoglio - além da carta formal da presidente Cristina Kirchner, "felicitando" o novo papa . "Não posso acreditar. Estou emocionada. Que notícia impressionante", disse a deputada Gabriela Michetti, do partido PRO, opositor ao governo da presidente Kirchner. Michetti é amiga do Papa, com quem teve frequentes conversas sobre a religião quando ele morava em Buenos Aires.

O porta-voz da Igreja Católica, Jorge Oesterheld, disse que o ex-cardeal vai levar ao Vaticano "uma marca própria linda". A União Industrial Argentina (UIA) emitiu uma nota celebrando "com alegria e emoção" a eleição do cardeal. "Esta entidade está convencida de que seu pontificado será uma contribuição fundamental não só para o fortalecimento da Igreja, mas também para a integração de todos os latino-americanos", disse a UIA.

Ex-porta-voz da Igreja, Gustavo Boquín também ressaltou a humildade de Bergoglio e contou que ele usava transporte público, como metrô e ônibus e caminhava pelos bairros para visitar as paróquias. "É um homem de austeridade e dedicação à vida pastoral", disse Boquín.

'Muito argentino'. Segundo ele, a rotina de Bergoglio começa às 4h30 e termina às 21 horas. Também relatou que o novo papa é fã de ópera e gosta de ler escritores argentinos como Jorge Luis Borges e Leopoldo Marechal, além do russo Fiodor Dostoievski.

Na Argentina o nome do Scherer também era um dos mais comentados como possível Papa. "A escolha poderá ser de um nome da América Latina e os brasileiros estão entre os mais prováveis", disse o especialista argentino Sergio Rubin, que realiza cobertura jornalística sobre a igreja. Ele é coautor do livro El Jesuita, conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio (O jesuíta, conversas com o cardeal Jorge Bergoglio).

Na obra, Bergoglio conta que é "muito argentino". Disse que gosta de tango, além de rezar todas as manhãs. "Ele é austero na sua vida pública e privada e gosta de se despedir dizendo, rezem por mim, o mesmo que fez hoje (ontem) no primeiro discurso como Papa", disse Boquín, seu porta-voz na igreja argentina. / MARINA GUIMARÃES E

MÁRCIA DO CARMO,

ESPECIAL PARA O ESTADO

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