Arno, do Tesouro: câmbio atual é mais realista

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou nesta terça-feira que a atual taxa de câmbio é mais realista, depois de o real ter permanecido excessivamente valorizado, e reforçou que o governo não tem uma meta.

Reuters

11 Dezembro 2012 | 11h45

"O real vinha excessivamente valorizado e esse câmbio atual é mais realista. Não vamos ter um grande impacto inflacionário pelo câmbio", disse ele em evento em São Paulo.

"A crise traz efeitos negativos para o crescimento, mas conseguimos usar parte desses efeitos negativos para criar oportunidades. O efeito negativo do câmbio já veio, numa segunda etapa o câmbio tem um efeito positivo. Estamos positivos para 2013", completou ele

Depois de o câmbio passar os primeiros meses do ano na faixa de 1,70 real por dólar a 1,80 real por dólar, medidas do governo e atuações do BC levaram a moeda norte-americana ao patamar de 2 reais.

Diante do nervosismo com números fracos da economia brasileira e com uma demanda maior por dólares, natural no final do ano, a moeda norte-americana se aproximou do nível de 2,14 reais no final de novembro, mas passou a retroceder após o Banco Central intervir, culminando na última sexta-feira com uma pesquisa de demanda de dólares.

Isso levou o mercado a interpretar a ação como uma possível defesa do teto informal de 2,10 reais, algo reforçado na segunda-feira por declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes.

Para Aldo, há "um pouco de gordura" na taxa de câmbio neste momento e que ela está acima do modelo calculado pela instituição.

Augustin afirmou ainda nesta manhã que não há uma mudança de estratégia no câmbio, e que o governo tem como um de seus objetivos reduzir a volatilidade.

"Não achamos bom uma volatilidade excessiva e o BC faz um trabalho magnífico sobre isso, olhando as entradas e saídas. O governo não tem patamar, não tem meta do câmbio", disse.

Às 11h16, o dólar caía 0,11 por cento ante o real, cotado a 2,0751 reais.

Sobre medidas de estímulo à economia, Augustin ainda disse que elas vão continuar neste ano e no próximo. "Ações de estímulo são constantes e uma necessidade para o curto prazo e o longo prazo. É algo permanente", disse ele.

(Reportagem de Danielle Fonseca)

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