Arqueólogos desvendam segredo do pote dos alquimistas

Um mistério esotérico de 500 anos, em torno da peça principal do laboratório dos alquimistas, foi solucionado por pesquisadores do University College London e da Cardiff University, de acordo com estudo publicado na revista científica Nature. Desde a Idade Média que os cadinhos - recipientes usados para misturar reagentes ou fundir metais - produzidos na região alemã de Hesse são renomados pela capacidade de suportar substâncias corrosivas e altas temperaturas. Trabalhos anteriores da mesma equipe de pesquisadores mostra que cadinhos de Hesse foram exportados, séculos atrás, para a Escandinávia, Europa Central, Portugal, Espanha, Reino Unido e, até, para as então colônias das Américas. Na época, muitos tentaram criar recipientes com as mesmas qualidades, mas não conseguiram.Usando técnicas modernas de análise, incluindo raios-X, os cientistas afirmam ter descoberto que os fabricantes dos cadinhos de Hesse usavam um material que só foi devidamente identificado no século 20.O pesquisador Marcos Martinón-Torres, do Instituto de Arqueologia do University College, explica que "nossa análise... revela que o componente secreto é um silicato de alumínio conhecido como mulita", ou Al6Si2O23."Hoje em dia, a mulita é usada um diversos tipos de cerâmica, convencional e avançada, como materiais de construção, equipamentos eletrônicos, materiais ópticos", diz o cientista. O silicato também é usado em sistemas de proteção térmica para aviões e turbinas.Segundo Martinón-Torres, o material só foi descrito no século 20, mas os fabricantes de cadinhos já conseguiam explorar as propriedades da mulita - ainda que inadvertidamente - por conta do tipo de argila usada, e da alta temperatura de cozimento das peças. "Os fabricantes de cadinhos não conheciam a mulita, mas dominaram uma receita de sucesso, e é por isso que trataram de mantê-la inalterada, e secreta, por séculos", explica o arqueólogo. Estima-se que milhões de cadinhos de Hesse tenham sido importados para o Reino Unido. Em 1755, chegou a ocorrer uma reunião especial da Royal Society of Arts para estimular a fabricação de recipientes similares com materiais britânicos, por conta do custo da importação.

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