Arquidiocese do Rio integra grupo contra atuação da PM

A Arquidiocese do Rio passa desde esta segunda-feira, 07, a integrar um grupo de instituições críticas da atuação da Polícia Militar (PM) nos protestos de rua iniciados em junho. Bispo auxiliar da Arquidiocese, dom Antonio Augusto Dias Duarte participou de um ato de repúdio à violência policial organizado pela seção Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). O religioso representou o arcebispo, dom Orani Tempesta.

MARCELO GOMES, Agência Estado

07 Outubro 2013 | 18h45

"Nós estamos vivendo numa sociedade em que as pessoas, para atingir seus objetivos, não buscam mais o diálogo como uma via de superação das diferenças, mas buscam a violência. Seja a violência física, seja a violência verbal, ou pior das violências: a violência implícita, a que tenta silenciar a voz daqueles que querem defender os verdadeiros direitos humanos. Tenho que conclamar todos nós a não fazermos apenas um ato de repúdio à violência, mas de busca do diálogo. A violência é o fracasso do diálogo", afirmou o bispo.

Uma comitiva com representantes da Igreja, da OAB e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) terá nesta terça-feira, 08, reunião com o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, para pedir mudanças na forma de atuação dos policiais nas manifestações.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB, Wadih Damous, disse que os PMs agem como "jagunços" nos protestos. "A política de segurança pública não sabe conviver com o regime democrático. O que vemos no Rio é uma política de extermínio de manifestantes, pondo em risco a vida das pessoas com o uso indiscriminado de balas de borracha e sprays de pimenta. Esses jagunços têm que ser punidos."

O presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, também criticou o que classificou de despreparo da polícia. "A polícia sempre agiu violentamente nas comunidades carentes. A sociedade só acordou para isso quando a polícia sai das comunidades e vem para a rua tratar da agenda da classe média. A PM é a polícia da ditadura. É o braço armado dos piores resquícios do Estado autoritário", disse.

No ato desta segunda-feira foi defendida a desmilitarização da PM dos Estados. Também estiveram presentes ao evento representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de movimentos sociais, além de políticos como o senador Lindbergh Farias (PT), que planeja disputar a eleição para governador em 2014, e a deputada federal Jandira Feghalli (PCdoB), também pré-candidata ao governo do Rio.

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