Arquiteto é visto como o derradeiro mestre do século 20

Autoridades e imprensa lamentaram o desaparecimento do grande artista

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL / LAUSANNE, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2012 | 23h54

Pai da arquitetura moderna, último símbolo do século 20, poeta das curvas. O mundo se curvou diante de Niemeyer. Da ONU a chefes de Estado, de artistas à imprensa internacional, o brasileiro recebeu centenas de homenagens. Na sede da Unesco, em Paris, diplomatas e funcionários fizeram 1 minuto de silêncio.

Na França, o presidente François Hollande saudou a obra de Niemeyer. Chamando-o de "extraordinário" e "imenso", disse que se tratava de "um dos grandes nomes do nosso tempo". Diversas cidades francesas contam com prédios do brasileiro.

Para Hollande, a obra de Niemeyer "atravessou o século 20" e suas convicções foram "colocadas à serviço de seu talento". "Ele teve a oportunidade de conceber uma cidade que é o orgulho do Brasil", disse. "Ele tinha com a França uma relação privilegiada, não apenas porque ele construiu vários edifícios cuja modernidade e originalidade surpreendem os visitantes, mas também porque ele morou aqui no exílio", lembrou. Entre as obras do brasileiro na França estão a Maison de la Culture du Havre, a antiga sede do jornal L'Humanité em Saint-Denis, a Bourse du Travail de Bobigny e a Praça Colonel Fabien em Paris.

Jean-Marc Ayrault, primeiro-ministro francês, chamou Niemeyer de "arquiteto dos sonhos tornados realidade". Para a ministra da Cultura, Aurélie Filippetti, o brasileiro foi um dos "maiores arquitetos de nosso tempo" e usou "linhas livres e sensuais". "Em todo o mundo, ele deixa uma obra que é ao mesmo tempo prestigiosa, grandiosa e popular, e que estão entre as mais belas expressões artísticas de nosso tempo."

Pierre Laurent, secretário nacional do PC francês e senador, confirmou que seu partido realizaria uma homenagem ao brasileiro e que sua sede promoveria dias de portas abertas para que os cidadãos de Paris conheçam a obra do brasileiro. Bertrand Delanoë, prefeito de Paris, declarou que a capital francesa "conservaria as impressões do trabalho" de Niemeyer.

Homenagens também foram organizadas na ONU. "A carreira de Niemeyer foi excepcionalmente longa e ilustre, mas o que fez dele um excelente arquiteto não foi apenas o seu vigor e talento. Ele imbuiu seu trabalho com um forte senso de humanismo e engajamento global", disse o secretário-geral Ban Ki-moon. Na sede da Unesco, 1 minuto de silêncio foi observado.

Na Argélia, o governo lembrou a vida do brasileiro nos principais jornais oficiais. Niemeyer é autor de várias obras no país.

Em jornais da Europa, a figura de Niemeyer foi ligada à nova imagem que o Brasil buscava em meados do século passado. Para o italiano La Stampa, o arquiteto "sonhou um novo Brasil". No espanhol El País, o brasileiro foi o "poeta da curva". A crítica internacional apontou que sua morte representa o desaparecimento do último artista de vulto do século 20. Para o El País, ele foi "o último sobrevivente dos grandes mestres do século 20". O El Mundo indicou que havia morrido o último símbolo do século passado.

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