Arrozeiros podem sair de reserva de Roraima em 48 horas

Operação da PF pretende retirar da área indígena um grupo de grandes produtores de arroz

LOIDE GOMES, ESPECIAL PARA A AE, Agencia Estado

08 de abril de 2008 | 19h14

A operação de retirada de não-índios da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, pode ocorrer no prazo de 48 horas. Segundo o governador Anchieta Júnior (PSDB), o tempo foi determinado pelos delegados da Polícia Federal (PF) que comandam a ação, em reunião realizada ontem, no Palácio Hélio Campos, sede do governo roraimense. O delegado Fernando Segóvia, que coordena a intervenção, não negou nem confirmou o prazo. Segóvia disse apenas que negociará o tempo que for preciso para que a retirada seja pacífica. "Mas a operação é inevitável. Somente uma ordem judicial poderá suspendê-la", afirmou. Veja também: Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol Assista à entrevista de Roldão Arruda, enviado especial à região  ENQUETE: Os produtores rurais devem ser retirados da reserva indígena?  Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região   A tensão em torno da ocupação da terra indígena Raposa Serra do Sol - homologada há três anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - aumentou nos últimos dias. O motivo foi o início, na quinta-feira, da Operação Upakaton 3 - nome dado pela Polícia Federal à serie de ações com que as autoridades federais pretendem retirar da área os últimos ocupantes que ainda estão lá: pequenos proprietários rurais, alguns comerciantes e um grupo de grandes e influentes produtores de arroz. O encontro ocorreu a pedido de Anchieta Júnior, que tenta uma saída pacífica para o conflito. Hoje, ele chamou ao palácio os arrozeiros que estão no local e ofereceu, sem sucesso, a logística necessária para retirá-los antes da entrada dos agentes federais na terra indígena. "Estou sentindo que vai morrer muita gente", disse o produtor Luiz Affonso Faccio, um dos primeiros a ocupar a área para o plantio de arroz, ao sair da reunião. Hoje, desembarcaram em Boa Vista mais 45 homens da Força de Segurança Nacional (FNS) para completar o efetivo de 500 policiais destacados para a ação.A PF também reforçou a segurança no posto que mantém em Pacaraima (RO), na fronteira com a Venezuela, depois que houve ontem uma tentativa de atentado. O indígena David Amaro da Conceição foi preso e indiciado pelos crimes de incitação à ordem pública, dano ao patrimônio público, sabotagem, exposição ao perigo da vida de outrem e ameaça.Conceição é acusado de ter arremessado dois coquetéis molotov contra os prédios da Receita Federal e da PF e de tentar detonar um carro-bomba em Pacaraima. O delegado da PF avisou: "Vou prender toda a quadrilha responsável pelos crimes cometidos na Raposa Serra do Sol, inclusive os indígenas que estiverem envolvidos."

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