Arruda diz que fica no cargo e tenta desqualificar denúncia

Acusado de participação em esquema de corrupção, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), afirmou nesta segunda-feira que permanece no cargo. Ele alega que registrou o dinheiro recebido e visto em imagens exibidas na TV, que acusa de terem sido truncadas.

REUTERS

30 de novembro de 2009 | 20h11

"Estamos firmes", disse Arruda a jornalistas em sua primeira manifestação após a acusação de participação em pagamento de propina a parlamentares aliados, realizada na sexta-feira.

Ele admite ter recebido os valores. "Recursos eventualmente recebidos por nós do denunciante para ações sociais, nos anos de 2004, 2005 e 2006, entre os quais o que foi exibido pela TV, foram regularmente registrados ou contabilizados, como o foram todos os demais itens da campanha eleitoral", afirmou Arruda, em nota lida por ele.

Arruda está sendo acusado de participação em esquema de pagamento de propina a parlamentares aliados na Câmara Legislativa. Foram exibidas imagens em que ele aparece recebendo dinheiro de Durval Barbosa, que foi seu secretário de Relações Institucionais até sexta-feira. O esquema é alvo da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal.

Foi o ex-secretário quem filmou as cenas de distribuição de recursos. Ele se tornou colaborador do Polícia Federal em um esquema de delação premiada sobre ação do governo anterior do DF, de Joaquim Roriz. Há cenas mostrando deputados distritais e aliados políticos recebendo dinheiro e guardando os recursos em valises, bolsas e meias.

Sobre as imagens de TV em que aparece recebendo recursos das mãos de Barbosa, Arruda alega que "a avaliação preliminar dos nossos advogados me alerta que os supostos 'defeitos' ou 'aquecimento' e 'resfriamento' do aparelho de gravação, conforme consta dos autos, acabaram por truncar e comprometer o teor e o sentido da conversa, inclusive com a 'desconfiguração dos dados armazenados'". Diz ainda que o diálogo foi previamente estudado.

O governador tenta desqualificar seu assessor ao afirmar que Barbosa trabalhou durante oito anos no governo Roriz e hoje é réu em 32 processos. Ele permaneceu no governo Arruda, mas em posto "meramente burocrático" por não haver condenação da Justiça.

Também declara que, dias antes do encontro, Barbosa propôs doações para campanha por empresários amigos dele, que teriam sido dirigidas a deputados.

"Deixamos claro que não aceitaríamos essas doações, pois só cuidaríamos de campanha no próximo ano, e sugerimos apoio às campanhas de deputados da base de apoio ao governo, na forma da lei", afirmou.

Arruda diz também que pretende colaborar com as investigações do Ministério Público Federal e do Superior Tribunal de Justiça.

Em 2001, Arruda foi envolvido no escândalo de quebra do sigilo do painel eletrônico de votação do Senado, quando renunciou ao mandato para escapar de uma cassação.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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