Arsenal nuclear do Paquistão 'está seguro com militares'

Presidente descarta chance de vitória de Bhutto e diz que ela teme participar de eleições.

BBC Brasil, BBC

17 de novembro de 2007 | 03h50

O presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, disse nesta sexta-feira em entrevista à BBC que as armas nucleares de seu país estão seguras enquanto os militares permanecerem no poder.Segundo o general, caso as eleições tivessem sido levadas adiante sob o que ele classificou de "condições tumultuadas", havia o risco de o arsenal nuclear do Paquistão cair em mãos erradas.No último dia 3, Musharraf decretou estado de emergência no Paquistão, suspendeu a Constituição, demitiu juízes da Suprema Corte e prendeu opositores políticos. O presidente disse, no entanto, que as eleições parlamentares vão transcorrer como programadas, em janeiro. Para a oposição, as eleições não terão credibilidade caso sejam realizadas sob o estado de exceção.Em entrevista a um programa de rádio da BBC, o presidente Musharraf descartou as chances de a líder da oposição e ex-primeira-ministra Benazir Bhutto vencer as eleições e disse que, na verdade, ela teme participar do pleito.O presidente chamou Bhutto de "queridinha do Ocidente", mas disse que "ela não gostaria de concorrer em uma eleição porque seu partido não está em condições de vencer".Nos últimos tempos, Bhutto, que lidera o Partido do Povo Paquistanês (PPP), principal sigla da oposição, vinha negociando um acordo de divisão de poder com Musharraf. Nesta semana, no entanto, a ex-premiê, que foi colocada duas vezes em prisão domiciliar nos últimos dias, afirmou que a possibilidade de um acordo com o general havia sido descartada completamente.Bhutto foi libertada de seu segundo período de prisão domiciliar na madrugada desta sexta-feira e disse que pretende se reunir com outros líderes de oposição para discutir um boicote às eleições parlamentares de janeiro.Na entrevista à BBC, o presidente rebateu as críticas sobre o estado de exceção e disse que eram os juízes e os políticos de oposição - e não ele - que estavam tentando desestabilizar o processo político e democrático no Paquistão."Eu fiz algo constitucionalmente ilegal? Sim, eu fiz, no dia 3 de novembro. Mas eu havia feito isso antes? Nunca", disse Musharraf. "Quem está tentando desestabilizar o processo político e democrático? Sou eu? Ou são alguns elementos da Suprema Corte (...) e agora alguns elementos do campo político?"A entrevista de Musharraf foi concedida às vésperas do encontro do presidente com o subsecretário de Estado americano, John Negroponte, em visita ao Paquistão.Os dois terão uma reunião neste sábado para discutir o aprofundamento da crise política no país.Negroponte chegou ao Paquistão nesta sexta-feira. Em uma conversa por telefone, o subsecretário americano disse a Bhutto que "forças moderadas" deveriam trabalhar juntas para restaurar a democracia no Paquistão. O governo de Washington tinha esperanças de que Bhutto e Musharraf trabalhassem juntos para melhorar o combate aos extremistas pró-Talebã no Paquistão. Os Estados Unidos já fizeram vários apelos para que Musharraf ponha fim ao estado de emergência.Na quinta-feira, o Parlamento foi dissolvido depois que seu mandato de cinco anos chegou ao fim e Musharraf nomeou o presidente do Senado, Mohammedmian Soomro, para assumir o cargo de primeiro-ministro interino até as eleições. Soomro foi empossado oficialmente nesta sexta-feira.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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