Artigo mostra valor da genômica em estudos evolutivos

Análise

Fabrício Santos, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

O rascunho detalhado do genoma do homem de Neandertal traz algumas evidências que sugerem um fluxo gênico pequeno (1% a 4%) com populações não africanas do homem moderno. No entanto, ressalta também a grande distinção dos genomas dos neandertais e dos homens atuais, cuja separação estimada por esses dados deve ter-se dado há pelo menos 270 mil anos.

O resultado indica que o contato dos neandertais com o homem moderno talvez tenha ocorrido no Oriente Médio, já que a hipótese de que os europeus fossem seus descendentes diretos não é suportada pelo estudo. Mais importante ainda, esse artigo demonstra o uso da genômica para responder questionamentos históricos, que contam atualmente com dados preliminares. Por exemplo, muitas dúvidas permanecem porque poucos genomas completos de indivíduos africanos - só dois povos: Iorubá e San - foram comparados com o Neandertal.

No próprio artigo, os autores comentam essa limitação, já que existe uma grande diferenciação genética entre os povos do continente africano, tal como descrito em um artigo recente do Projeto Genográfico, indicando que, ao redor de 160 mil e 90 mil anos atrás, duas populações de homens modernos se diferenciaram no sul e nordeste da África. Como genomas do nordeste africano não estão ainda disponíveis para comparação, uma futura análise poderá revelar, por exemplo, que o cenário de fluxo gênico poderia ter-se dado no norte da África ou, alternativamente, como os autores do artigo sugerem, que as populações não africanas não se homogeneizaram em relação às africanas.

É BIÓLOGO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, ESPECIALISTA EM GENÉTICA EVOLUTIVA

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