Artistas e fãs se despedem de Chico Anysio

Milhares de pessoas velaram ontem o corpo do humorista no Theatro Municipal do Rio

DANIELA AMORIM/ RIO , O Estado de S.Paulo

25 Março 2012 | 03h04

Milhares de pessoas estiveram ontem no Theatro Municipal do Rio de Janeiro para acompanhar o velório do humorista Chico Anysio, morto na sexta-feira, aos 80 anos. O corpo chegou ao local por volta das 6h30. Em seguida, vieram os filhos Nizo Netto e Bruno Mazzeo.

Coube à sobrinha, a diretora Cininha de Paula, falar pela família: "Uma vez me perguntaram o que é ser sobrinha do Chico. É um privilégio de poucos", afirmou. A viúva do humorista, Maga Di Paula, estava muito abalada. Às 6h, ela havia postado em sua conta no Twitter: "A dor é dilacerante".

Pela manhã, o velório ficou restrito a amigos e parentes. Somente depois da chegada da ex-mulher Zélia Cardoso de Mello, que vive em Nova York com dois filhos de Chico, a cerimônia foi aberta para o público. Isso ocorreu às 14 horas. O corpo do humorista será cremado hoje, no Cemitério São Francisco Xavier.

Do lado de fora do teatro, centenas de fãs e curiosos aglomeravam-se em torno de famosos. A Rede Globo contratou seguranças, que tentavam conter a aproximação dos fãs e da imprensa.

Coroas de flores em homenagem a Chico enfeitavam as escadarias do Theatro Municipal. Foram enviadas por autoridades como a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, e amigos, como o diretor Daniel Filho, e o ex-jogador Roberto Dinamite, presidente do Vasco da Gama, time pelo qual Chico torcia, entre outros.

Entre os artistas presentes ao velório, estavam "ex-alunos" da Escolinha do Professor Raimundo David Pinheiro (que interpretava o Armando Volta, que chamava o professor de "Somebodylove"), Iran Lima (o Cândido Manso) e Claudia Mauro (que fazia a Dona Capitu, a aluna preferida). "Foi meu mestre, meu amigo querido. Uma das pessoas mais incríveis e mais generosas que eu conheci na minha vida", disse Claudia, emocionada.

Marcos Veras, colega de Chico no Zorra Total, contou que o humorista vinha gravando no Projac, mesmo em cadeira de rodas. "Durante a gravação, ninguém percebia a fragilidade do estado de saúde dele. Ele só gravou uma vez em casa. Isso demonstra o profissionalismo dele e a paixão pelo trabalho. Toda família de artistas vai continuar o legado dele. A despedida é sempre muito triste. Você está perdendo, além do homem maravilhoso, um grande artista."

Também estiveram presente os atores Hélio de la Peña, Lucinha Lins, Marília Pêra, Glória Pires, os diretores Daniel Filho, Maurício Sherman e Boninho.

Atendendo a um desejo do artista deixado registrado em testamento, as cinzas serão jogadas no Projac, da Rede Globo, e em sua cidade natal, Maranguape, no Ceará.

O humorista estava internado desde o dia 22 de dezembro, por causa de uma hemorragia digestiva. Ele teve pneumonia, complicações renais, passou por hemodiálise e respirava com o auxílio de aparelhos. Morreu de falência múltipla dos órgãos, em decorrência de um choque séptico causado por infecção pulmonar.

Segundo a assessora particular de Anysio, Luciane Sender, o artista manteve a lucidez até meados da semana passada, quando o seu estado de saúde se agravou.

Em agosto de 2010, Chico foi submetido a uma cirurgia para retirada de parte do intestino. O humorista já tinha a saúde fragilizada por um enfisema pulmonar, resultado de 40 anos de tabagismo. Em 2011, passou 110 dias no hospital, sendo 72 no CTI.

Inesquecível. Chico Anysio foi criador e intérprete de personagens inesquecíveis do rádio e da TV, como Pantaleão, Professor Raimundo, Alberto Roberto e Justo Veríssimo, entre mais de 200 outros tipos. Também atuou e escreveu filmes.

Casado por seis vezes, lançou o livro Como Salvar seu Casamento, que ensinava dicas sobre uma boa relação. Mais 20 livros fecham a coleção de títulos de sua autoria, de biografias a volumes de anedotas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.