Arturito ilumina salão e menu

Há mais luz no Arturito. Tanto no sentido literal, com o fim da quase penumbra que predominava no salão, particularmente nos primeiros tempos, como no cardápio, no serviço, no estado de espírito, na revisão de preços (para baixo). Sempre comi bem no restaurante de Paola Carosella. Entretanto, agora o programa é mais agradável.

Luiz Américo Camargo,

18 Julho 2013 | 03h01

Escrevi sobre a casa há coisa de um ano, depois de uma troca de cardápio bastante profunda. Havia melhorado, mas eu ainda sentia falta das receitas vibrantes dos tempos do Julia Cocina, onde a chef realmente se projetou. E não tinha como não se incomodar com o serviço, que oscilava entre uma quase total ausência e uma presença quase totalmente blasé. Mudou.

Paola Carosella deixou as funções executivas no Grupo Rubaiyat e voltou a supervisionar a cozinha, sob o comando do chef Thiago Bañares. Assumiu o estabelecimento como única dona e descomplicou as dinâmicas internas do restaurante. O atendimento é simples e cordial, sem salamaleques e afetações - embora eficiente e bem informado sobre o cardápio. Não se cobra mais taxa de rolha para o vinho levado pelo cliente. A iluminação agora é confortável.

Mas as mudanças no menu, principalmente, valeram as revisitas. Pratos novos, como o nhoque de ricota com molho de linguiça caseira e a rabada braseada com ravióli de espinafre (ambos a R$ 49) unem potência e delicadeza. Os mexilhões à provençal (R$ 24 e R$ 48, conforme o tamanho) e o peixe do dia na caixa de ferro com gratin de abóbora (era anchova, R$ 62,50) seguem frescos e bem executados, com cocções precisas. E há opções inclusive como os ovos estalados com linguiça feita na casa, de copa e pernil, mais salada e torrada de brioche, por admiráveis R$ 24.

A lista de itens recomendáveis é longa. Entradas como o quiabo tostado, cebolas doces e ajo blanco (R$ 13 e R$ 22), sobremesas como o crème caramel de laranja (R$ 19) e a torta rústica de ameixa e blueberries (R$ 18). Contando tudo que provei, só tenho uma ressalva. Ainda que a carbonara da casa (R$ 49) seja respeitável, penso que esse molho não funciona bem com tagliatelle: a massa é fina e vai se quebrando, à medida que o prato esfria.

Acho que o Arturito agora combina melhor com o próprio nome. Antes, talvez ele estivesse mais para Sr. Artur (eu sei, escrevi isso em 2012). E, tanto quanto chamar a atenção para a nova fase, quero louvar o zelo da chef pelo artesanal. Pães, coalhada, embutidos, massas, sorvetes... É o apreço pelo ofício, enfim.

Por que este restaurante?

Porque sua nova fase é muito alentadora, com ambiente mais agradável, preços melhores e pratos muito bons.

Vale?

O executivo custa R$ 44. O couvert é básico e na medida (R$ 7,50). Há pratos caros, como o polvo na chapa (R$ 98), e vários abaixo dos R$ 50; alguns por menos de R$ 30. Embora várias sugestões coincidam, existe um cardápio para o almoço, outro para o jantar, um terceiro para o fim de semana. Vale.

Arturito

R. Artur de Azevedo, 542, Pinheiros, 3063-4951. Almoço: 12h/15h (sáb. e dom. 12h30/16h. Fecha 2ª). Jantar: 19h/23h30 (6ª e sáb. 19h/0h. Fecha dom.). Cc.: todos

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