As boas opções da Bonarda

Na Argentina, praticamente só se fala em Malbec, deixando de lado, muito injustificadamente, a Bonarda, cuja imagem ainda é ligada aos vinos gruesos baratinhos. É muito mais fácil provar e gostar dos tintos feitos com a Bonarda na Argentina do que identificar a origem dessa uva. A cada dia surge mais um Malbec concentrado, alcoólico, caríssimo. Muitos conseguem aliar a potência à elegância, mas tenho encontrado mais os do tipo potente e alcoólico. Isso vem tornando mais atraentes os Bonardas modernos, amigáveis, elegantes, feitos com uvas de videiras antigas que amadureceram corretamente. A degustação de vários deles agradou bastante. Além dos quatro citados, ficou praticamente no mesmo nível o Colonia de las Llebres, gostoso mesmo e com ótimo aroma. Veja também: Nieto Senetiner 2007 Broquel Bonarda 2006 Dante Robino 2006 Alamos 2007 Todos os vinhos do Novo Mundo vieram, naturalmente, da Europa, começando pelas plantações feitas pelos padres, que precisavam de vinho para a missa. Os imigrantes completaram o trabalho. Na Argentina, muitos grupos de imigrantes transplantaram suas uvas e técnicas: Tempranillo (Espanha); Barbera, Sangiovese, Bonarda (Itália). Os italianos devem ter levado a Bonarda para a Argentina, onde ela se deu muito bem e propagou-se rapidamente, principalmente na zona plana mais quente da Província de Mendoza, distante das áreas mais valorizadas localizadas nas fraldas dos Andes. A Bonarda foi bem aceita pelos vinhateiros, pois dava vinhos com muita cor e frutas. Na primeira metade do século passado a qualidade não importava tanto, o negócio era produzir vinhos baratos e populares. Com isso, a Bonarda foi, por longo tempo, a uva mais plantada, pois produzia muito (a Malbec passou a ser a mais plantada há relativamente pouco tempo). Mas que Bonarda era aquela? Só no Piemonte, existem vários tipos. Estudos recentes dizem que ela está relacionada à Dolceto, mas atualmente, é mais aceita a teoria de que se trata da Corbeau, uma uva francesa, da região do Jura. Com a enorme queda no consumo de vinos gruesos, que muitas vezes eram consumidos com água gaseificada, os produtores passaram a tratar a Bonarda como ela merece, fazendo tintos alegres, cheios de fruta, com menos álcool, fáceis de beber. Ótimas opções para os colossos feitos com a Malbec.

Saul Galvão,

04 Junho 2009 | 09h40

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