As boas opções da Bonarda

Na Argentina, praticamente só se fala em Malbec, deixando de lado, muito injustificadamente, a Bonarda, cuja imagem ainda é ligada aos vinos gruesos baratinhos. É muito mais fácil provar e gostar dos tintos feitos com a Bonarda na Argentina do que identificar a origem dessa uva. A cada dia surge mais um Malbec concentrado, alcoólico, caríssimo. Muitos conseguem aliar a potência à elegância, mas tenho encontrado mais os do tipo potente e alcoólico. Isso vem tornando mais atraentes os Bonardas modernos, amigáveis, elegantes, feitos com uvas de videiras antigas que amadureceram corretamente. A degustação de vários deles agradou bastante. Além dos quatro citados, ficou praticamente no mesmo nível o Colonia de las Llebres, gostoso mesmo e com ótimo aroma.

O Estado de S.Paulo

04 Junho 2009 | 02h37

Todos os vinhos do Novo Mundo vieram, naturalmente, da Europa, começando pelas plantações feitas pelos padres, que precisavam de vinho para a missa. Os imigrantes completaram o trabalho. Na Argentina, muitos grupos de imigrantes transplantaram suas uvas e técnicas: Tempranillo (Espanha); Barbera, Sangiovese, Bonarda (Itália).

Os italianos devem ter levado a Bonarda para a Argentina, onde ela se deu muito bem e propagou-se rapidamente, principalmente na zona plana mais quente da Província de Mendoza, distante das áreas mais valorizadas localizadas nas fraldas dos Andes.

A Bonarda foi bem aceita pelos vinhateiros, pois dava vinhos com muita cor e frutas. Na primeira metade do século passado a qualidade não importava tanto, o negócio era produzir vinhos baratos e populares. Com isso, a Bonarda foi, por longo tempo, a uva mais plantada, pois produzia muito (a Malbec passou a ser a mais plantada há relativamente pouco tempo).

Mas que Bonarda era aquela? Só no Piemonte, existem vários tipos. Estudos recentes dizem que ela está relacionada à Dolceto, mas atualmente, é mais aceita a teoria de que se trata da Corbeau, uma uva francesa, da região do Jura.

Com a enorme queda no consumo de vinos gruesos, que muitas vezes eram consumidos com água gaseificada, os produtores passaram a tratar a Bonarda como ela merece, fazendo tintos alegres, cheios de fruta, com menos álcool, fáceis de beber. Ótimas opções para os colossos feitos com a Malbec.

NIETO SENETINER 2005

ONDE ENCONTRAR: CASA FLORA, TEL. 2842-5199

PREÇO: R$ 29,50

COTAÇÃO: 88/100

A Nieto Senetiner faz bons vinhos com a Bonarda. O seu Reserve especial é o melhor que conheço (e muito mais caro), na elite dos tintos do País. Segundo o produtor, um vinho de Lujan de Cuyo, envelhecido em barricas de carvalho, que aparece no aroma e na boca. Um vinho leve, ligeiro, fácil de beber e de gostar. Macio, com taninos evidentes e sem amargor final. No fundo do copo, algo rústico. Aroma complexo, com algo de chocolate, licor de cacau e frutas. Vinho de corpo médio, ligeiro e refrescante, mais do que pronto para beber. Não tem nada a ganhar com o tempo. Álcool muito bem equilibrado. Deixa sensação agradável na boca.

13% de álcool.

BROQUEL BONARDA 2006

ONDE ENCONTRAR: INTERFOOD, TEL. 2602-7255

PREÇO: R$ 35

COTAÇÃO: 88/100

Um tinto ligeiro, popular, gostoso, para se beber despreocupadamente. Feito pela gigante Trapiche, que produz vinhos de todos os níveis de preço, sob o excelente enólogo Daniel Pi. Talvez fique melhor um pouco resfriado. Fácil de beber, com muita fruta e mais do que pronto. Na boca tem taninos macios, que não amarram o paladar. Um vinho ligeiro, que não é longo, mas deixa sensação gostosa. Prontíssimo para o copo. Bom com comida, fácil de beber e com boa fruta, Aroma também com bastante fruta, com um fundinho de carvalho, pelo qual deve ter passado rapidamente. Um pouquinho alcoólico, mas não agressivo. 14% de álcool.

DANTE ROBINO 2006

ONDE ENCONTRAR: GRAND CRU, TEL. 3062-6388

PREÇO: R$ 36

COTAÇÃO: 89/100

A vinícola Dante Robino está em ascensão na Argentina. Este agradou bastante, com boa relação qualidade-preço. Aroma potente, com bastante fruta e um fundinho de cacau, de ameixa em calda, algo de baunilha da madeira bem presente. Não é grande nem pretende ser, mas sim alegre, sempre pedindo o próximo gole. Ligeiro, mas com boa concentração de sabor. Pronto para beber, gostoso mesmo, fácil, bom em companhia de muitos pratos. Não tem nada a ganhar com o tempo. Versátil. Os taninos macios facilitam a combinação com os pratos. Redondo, equilibrado. Não é longo, mas deixa boa sensação na boca. 13,5% de álcool.

ALAMOS 2007

ONDE ENCONTRAR: MISTRAL, TEL. 3372-3400

PREÇO: US$ 14.70

COTAÇÃO: 88/100

Os vinhos da linha Alamos são produzidos pela Catena, uma das maiores e melhores vinícolas da Argentina, com vinhos de vários níveis de preços. Os Alamos são feitos em grandes quantidades, para consumo rápido e se beber despreocupadamente. Não se deve esperar muito dos vinhos dessa linha, mas muito dificilmente eles decepcionam. São vinhos com bom preço para beber logo e sem preocupação. Este já está pronto e não tem nada a ganhar com o tempo. Deve ter passado pelo carvalho. Sensível no aroma e na boca. Também boa fruta. Redondo e macio. Taninos nada agressivos. Deixa sensação agradável na boca. 13,5% de álcool.

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