Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

As cervejas que harmonizam com pratos tipicamente natalinos

Que as cervejas têm diversidade e complexidade suficientes para rivalizar com - e até desbancar - o vinho na harmonização com a ceia natalina, já se sabe. Mas, dentro dessa saudável (e saborosa) disputa, as receitas de inspiração belga levam vantagem pela versatilidade. Três estilos originários do país europeu foram citados mais de uma vez por especialistas consultados pela coluna para sugerir as combinações cervejeiras de pratos como tender, chester, pernil e bacalhau.

ROBERTO FONSECA, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2012 | 02h08

A belgian blond ale foi eleita o par ideal para o peru pelo chef Ronaldo Rossi, dono da loja Cervejoteca, e pelo sommelier de cerveja Renê Aduan Jr. "É uma cerveja aromática, muitas vezes floral, que harmoniza perfeitamente com os sabores suaves do peru", afirma Rossi. Aduan Junior ainda indica, como opção, as belgian pale ales. Outro especialista consultado, o chef Rodrigo Martins, seguiu uma linha diferente, mas manteve-se na escola belga: para ele, a melhor parceria com o peru é uma gueuze, com notas ácidas e frutadas.

A dubbel também foi uma das citadas pelos especialistas, mas para combinações distintas. O sommelier de cerveja aposta que ela vai melhor com pernil: "Há proximidade do caramelado da cerveja, com a tosta da carne e corte da gordura pela carbonatação e teor alcoólico da dubbel." Rossi sugere uma combinação aparentemente incomum, da dubbel com bacalhau. "Como dizem os portugueses, 'bacalhau não é peixe, é bacalhau'. Pensando dessa forma as regras para a harmonização de peixes e cervejas mais suaves não valem aqui."

O estilo witbier foi a escolha de Aduan Jr. e Martins para pratos distintos. O sommelier de cerveja o sugere para bacalhau em lombo grelhado ou em lascas à Gomes de Sá. "Há corte de gordura pela acidez da cerveja e complementação de sabores cítricos." Para o chef, a wit é o par ideal para o chester. No caso da ave, Aduan Jr. recomenda as alemãs kölsch, dortmunder ou kellerbier.

Para o tender, o sommelier de cerveja sugere os estilos rauchbier e märzen, Rossi, dunkelweizen ou weizenbock e Martins, uma india pale ale.

Cerveja de 11%, com notas de malte, cítricas, condimentadas e adocicadas no aroma e sabor. Na boca, ainda se percebem um final seco moderado, picante perceptível e calor alcoólico.

Vai para o copo? Sim, é boa cerveja. Mas aroma poderia ser mais duradouro

Mais conhecida do estilo, tem 11,5% de teor alcoólico. Aroma com notas herbais e florais, que lembram manjericão e cardamomo, e um quê condimentado. Na boca, tem residual adocicado, picante e final seco.

Vai para o copo? Sim. Bela cerveja e com preço melhor

Malheur Biére Brut Origem: Bélgica

Preço: cerca de

R$ 95 (750ml)

Primeira cerveja brasileira do estilo, tem 11,5% e notas de malte, leve frutado, condimentado,adocicado, leve picante e secura sutil.

Vai para o copo? É interessante, mas devia ser menos doce. Lust Prestige, com um ano a mais de envelhecimento, atenua o problema.

DeuS

Origem: Bélgica

Preço: R$ 89,90 (Pão de Açúcar, 750 ml)

Eisenbahn Lust

Origem: Brasil

Preço: cerca de

R$ 100 (750ml)

Produzida em Minas Gerais, tem 11%. No aroma e no sabor, nota de couro/acético deixa em segundo plano elementos como malte e leve condimentado. Final seco sutil.

Vai para o copo?

Nota dissonante atrapalha. Pode ser problema na amostra testada, do lote 1.

Cor dourado claro, boa formação de espuma e até perlage. A taça tipo flute é a ideal para a sua degustação. A descrição bem caberia a um champanhe, mas a bebida em questão é a cerveja que passa pelo método champenoise na produção. Na esteira das belgas, vieram as versões nacionais.

Wäls Brut

Origem: Brasil

Preço: cerca de

R$ 120 (750ml)

A Cervejaria Bohemia lança nos próximos dias uma receita sazonal de sua linha, a Imperial. Com 5,2% de teor alcoólico, é uma pilsen extra, criada para celebrar a reabertura da fábrica da marca, em Petrópolis (RJ). Outras novas receitas da Bohemia devem ser apresentadas em breve.

O site Clube do Malte (www.clubedomalte.com.br) lançou duas receitas ligadas a estilos musicais. A Chicago Blues é uma smoked robust porter (6,2%) que se inspira em bluesmen como B.B. King e Steve Ray Vaughn; já a Underground é uma American IPA com 5,8% e influências do punk rock.

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