As últimas horas da plataforma do Golfo

Investigação revela série de falhas do sistema de segurança das companhias envolvidas, além da bravura de alguns operários

, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2011 | 00h00

Passaram-se mais de oito meses desde que o poço de petróleo Macondo explodiu embaixo da plataforma Deepwater Horizon, em 20 de abril, no Golfo do México, provocando uma das piores catástrofes ambientais da história dos Estados Unidos, com 4,1 milhões de barris de petróleo lançados nas águas durante 103 dias. Com bilhões de dólares de multas ambientais em jogo, as investigações do governo se concentraram nas causas do desastre. Os investigadores dissecaram o projeto do poço, descobrindo um problema atrás do outro. O desastre teve duas partes: a explosão, que gerou um vazamento descontrolado, e a destruição da plataforma. A segunda parte, que matou 11 pessoas e feriu dezenas, escapou de um exame mais intenso, como se tivesse sido vítima inevitável da explosão. Com quase 120 metros de comprimento, a plataforma tinha defesas formidáveis contra a pior das explosões. Em teoria, ela deveria ter resistido. Essa é a tese, baseada em entrevistas com 21 trabalhadores da plataforma e com quase todas as outras 94 pessoas que escaparam, além de documentos descrevendo as operações.

Revelou-se um fato duro: membros da tripulação morreram e se feriram porque todos os sistemas de defesa da plataforma falharam. Algumas foram acionadas, mas não funcionaram. Outras foram ativadas tarde demais. Outras nem foram adotadas. Nos momentos críticos, houve hesitação e não foram adotadas medidas necessárias. Comunicações foram interrompidas, alarmes não foram ouvidos e equipes em áreas críticas não conseguiram coordenar uma resposta. O resultado foi paralisia, que teve duas origens principais: o fato de os funcionários não terem sido treinados para o pior - estavam despreparados para um vazamento seguido por explosões, incêndios e perda de energia - e a complexidade das defesas da torre e de suas regras de acionamento. Um único sistema de emergência era controlado por 30 botões. Mas, após a falha dessas intricadas defesas, muitas vidas foram salvas por simples atos de bravura. Por toda a plataforma, nas circunstâncias mais terríveis, homens e mulheres ajudaram uns aos outros para encontrar uma maneira de viver.

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