Assad diz que potências devem parar de apoiar rebeldes

O presidente sírio, Bashar al Assad, disse nesta quinta-feira que a Síria não poupará esforços para garantir o sucesso da missão de paz do enviado internacional Kofi Annan, mas advertiu que ela não funcionará sem o fim do financiamento estrangeiro e do armamento dos rebeldes que se opõem a ele.

DOMINIC EVANS, REUTERS

29 Março 2012 | 17h05

Assad está sob forte pressão internacional para que chame suas tropas de volta às bases, após um ano de revolta popular contra o seu governo. O confronto entre os soldados e rebeldes deixou mais 22 mortos na quinta-feira, seis deles soldados.

A agência de notícias estatal Sana noticiou que Assad enviou uma carta aos líderes dos Brics, grupo de potências emergentes que inclui o Brasil e a Rússia -aliada da Síria-, na qual diz que "os países que apoiam os grupos armados com dinheiro e armas precisam ser convencidos a parar com isso imediatamente".

Ao mesmo tempo, a Grã-Bretanha anunciou que está dobrando a assistência não militar aos opositores de Assad e ampliando seu escopo a equipamentos, o que possivelmente incluirá telefones seguros para ajudar os ativistas a se comunicarem entre si com mais facilidade sem temer grampos e ataques.

A assistência, no valor de 800 mil dólares, "inclui um acordo em princípio para apoio prático não letal dentro da Síria", disse o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague.

Os líderes árabes reunidos em uma cúpula em Bagdá endossaram o plano de paz apresentado por Annan, o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe à Síria, e pediram que ele seja implementado "imediatamente e por completo".

O plano de seis pontos pede o cessar-fogo, a retirada dos armamentos pesados e das tropas dos centros urbanos, assistência humanitária, libertação de prisioneiros e livre acesso para jornalistas. Os líderes da Liga Árabe derrubaram sem alarde uma exigência anterior para que Assad renunciasse à presidência. O plano de Annan, endossado pelo Conselho de Segurança da ONU, não exige isso, diferentemente de um plano anterior que foi vetado pela Rússia e pela China.

"A solução para a crise ainda está nas mãos dos sírios como governo e oposição", disse o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, na reunião de cúpula na capital iraquiana, a primeira realizada ali em 20 anos.

Antes, a Liga havia assumido uma postura mais próxima à posição linha dura do Catar e da Arábia Saudita, pedindo que Assad transferisse os poderes a um vice para permitir um governo de união e eleições antecipadas.

Mas a mudança na posição árabe ocorreu depois dos vetos da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU e do fracasso da missão de observação da Liga Árabe em parar com a violência.

Os grupos de oposição sírios continuam a exigir a saída de Assad e não concordaram em negociar a paz com o governo.

"Em troca do comprometimento formal com o sucesso da missão de Annan, é necessário obter comprometimentos das outras partes para cessar os atos terroristas cometidos pelos grupos armados e retirar as armas desses grupos e pedir que eles parem com seus atos terroristas", disse a carta de Assad.

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