Assad diz que Síria vai acabar com responsáveis por ataque a mesquita

O presidente sírio, Bashar al-Assad, prometeu nesta sexta-feira limpar o país das "forças extremistas" acusadas por ele ??de terem assassinado um líder clérigo muçulmano sunita que apoiava a batalha de dois anos do governo contra rebeldes e manifestantes.

DOMINIC EVANS, Reuters

22 de março de 2013 | 11h51

Assad fez a promessa em uma mensagem de condolência pela morte de Mohammed al-Buti, que morreu junto com dezenas de fiéis em um bombardeio a uma mesquita de Damasco, na quinta-feira.

A mídia estatal disse que o número de mortos na explosão era 42, mas o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora a violência em todo o país, disse que 52 pessoas morreram e que o número final deve superar 60.

O assassinato em massa dentro de um lugar religioso chocou muitos sírios, mesmo estando há muito tempo acostumados com o derramamento de sangue diário num conflito que já matou 70 mil pessoas e forçou centenas de milhares a deixarem o país.

Autoridades decretaram um dia de luto no sábado, quando está previsto um funeral para Buti, que muitas vezes realizava seus sermões na histórica mesquita de Umayyad.

"Seu sangue... e de todos os mártires da Síria não será derramado em vão", disse Assad. "Vamos aderir ao seu pensamento para eliminar a escuridão e o extremismo até limparmos o nosso país deles."

O bombardeio à mesquita ocorreu no bairro de Mazraa, o mesmo onde um carro-bomba matou mais de 60 pessoas há um mês, em outro sinal de que a guerra civil da Síria chegou ao coração da capital controlada por Assad.

As posições de artilharia de Assad, no extremo norte de Damasco, atacaram as cidades controladas pelos rebeldes de Derayya e Moadamiya nesta sexta-feira, e um morador de Damasco disse que o cheiro de pólvora era forte no centro da cidade.

O presidente, de 47 anos, tem ordenado ataques aéreos, disparos de artilharia e o lançamento de mísseis tipo Scud para atingir os combatentes rebeldes que controlam partes do leste e do norte da Síria, e que desafiaram o domínio do governo sobre a maioria das principais cidades do país.

Governo e rebeldes se acusaram mutuamente de usarem armas químicas em confrontos perto da cidade de Aleppo, na terça-feira, em que 26 pessoas foram mortas.

A ONU prometeu investigar o incidente, embora uma autoridade dos EUA tenha dito que cada vez mais parece que uma arma química não foi utilizada.

O líder da oposição, Moaz Alkhatib, ele próprio um ex-líder da mesquita de Umayyad, disse que a morte de um clérigo muçulmano em um santuário religioso era "um crime em todos os sentidos da palavra".

"Podemos não concordar com ele politicamente, e acreditava que ele estava errado em ficar com os governantes, mas a sua morte abre as portas para um mal que só Deus sabe", disse ele em um comunicado.

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