Assaltantes fazem bancário refém com explosivo falso no Rio

Homem permaneceu com supostas bombas ligadas ao corpo até a chegada do esquadrão antibombas

Solange Spigliatti e Pedro Dantas, estadao.com.br e O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2008 | 13h50

A polícia do Rio frustrou nesta quinta-feira, 8, o seqüestro do tesoureiro de uma agência bancária do Bradesco, em Vilar dos Teles, distrito de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ao perceberem a movimentação da polícia, os seqüestradores, que passavam as ordens para a vítima por meio de um celular, fugiram, mas deixaram o bancário com um cinturão com falsos explosivos, que foi retirado apenas com o auxílio do Esquadrão Anti-Bombas. "O material era falso, mas feito com Durepoxi, fios, plugs de telefone e fita adesiva parecia um artefato real, ou seja, foi feito por alguém que entende do assunto", disse o delegado-titular da 64ª Delegacia de Polícia, André Drumond. Segundo ele, a quadrilha pode ser presa "nas próximas horas". Em depoimento à polícia, o bancário Marcelo Camilo Fragoso, de 39 anos, contou que foi abordado por sete homens, por volta das 18 horas de quarta-feira, 7, na estação de trem de Costa Barros, na zona norte. Depois de anunciarem o seqüestro, Fragoso foi levado para casa, onde estavam os filhos de 7 e 12 anos com a babá. Ele foi obrigado pelos bandidos a ligar para a mulher e pedir que ela não contasse à polícia sob risco da família ser morta. Após o telefonema, a mulher dele foi hospitalizada em crise nervosa. Fragoso, os filhos e a babá foram levados para uma casa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. "Pela manhã, os bandidos entregaram a ele uma mochila e pediram que colocasse R$ 600 mil dentro dela. Como eles pareciam saber a quantia disponível no banco, nenhum linha de investigação está descartada e acreditamos que alguém próximo a vítima esteja envolvido", disse o delegado. Ainda no cativeiro, antes de ser separado dos filhos, Fragoso teve falso cinturão de explosivos amarrado ao corpo e recebeu um celular pelo qual receberia as instruções dos criminosos. Por volta de 8h15, acompanhado por três homens que ficaram na calçada, o bancário entrou na agência. De acordo com a Polícia Militar, algumas pessoas suspeitaram da movimentação e chamaram a polícia. Os seqüestradores foram revistados, mas foram liberados porque não estavam armados. Ao conseguirem falar com o gerente da agência, os PMs descobriram que se tratava de um seqüestro e a área foi cercada.  No entanto, de acordo com o delegado 64ª DP, a versão para o desfecho foi outra. "Nossa Divisão de Investigação e Monitoramento soube do seqüestro à noite. Pela manhã, quando o tesoureiro entrou na agência, já estávamos lá e impedimos o pagamento do resgate", disse Drumond, que, alegando "necessidade de sigilo", não disse como a polícia descobriu o seqüestro que ainda não havia sido comunicado. Após o cerco da agência, três policiais civis à paisana foram até o cativeiro onde encontraram as crianças e a babá sem ferimentos. Apenas após a libertação da família, a polícia acionou o Esquadrão Anti-Bombas para a retirada do falso cinturão de explosivos que demorou apenas 15 minutos. Apenas às 13 horas, o bancário, que por segurança passou quase seis horas trancado no cofre blindado da agência ao lado de dois inspetores, foi libertado. No distrito, Fragoso não quis dar entrevista. Texto ampliado às 19h40

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