Assassino norueguês é doente, mas não psicótico, diz perito

O norueguês Anders Behrin Breivik, que matou 77 pessoas numa chacina em julho de 2011, sofre de transtornos neuropsiquiátricos e de desenvolvimento, mas não é um esquizofrênico paranoico, disse um perito na sexta-feira, num depoimento que o réu, visivelmente agitado, qualificou de "insultante".

BALAZS KORANYI, REUTERS

08 de junho de 2012 | 19h41

O tribunal tenta determinar se Breivik, autor confesso do massacre, estava psicologicamente são quando realizou uma explosão no centro de Oslo e uma chacina a tiros numa ilha próxima à cidade.

Uma equipe de peritos concluiu que ele é psicótico, sofrendo de esquizofrenia paranoica, mas outra junta chegou a conclusão oposta, deixando indecisos os cinco juízes do caso.

"Isso é difícil... mas contesto (o primeiro laudo), pois não encontro evidência de esquizofrenia paranoica", disse Ulrik Frederick Malt, professor da Universidade de Oslo.

Ele disse em audiência, porém, que Breivik provavelmente sofre da síndrome de Asperger, um amplo transtorno do desenvolvimento que costuma surgir na infância, da síndrome de Tourette, um distúrbio neuropsiquiátrico, de um distúrbio de personalidade narcisista e possivelmente de delírios.

Breivik, que assistiu à maior parte do depoimento com um sorriso desconfortável, interrompeu, chamando o depoimento de Malt de "insultante", e de "ridículo" o procedimento judicial que o obrigou a escutar calado.

Malt disse que suas conclusões se baseiam em sintomas como a solidão de Breivik, sua depressão, suas manias de grandeza, sua indiferença à dor alheia e seus tiques faciais, entre outros.

Quando foi autorizado a falar, Breivik declarou: "Quero congratular Malt pelo bem executado assassinato de caráter. No começo, fiquei bastante ofendido, mas ao final achei bem divertido. As premissas expostas não são verídicas. Não sou um egoísta, sou uma pessoa altruísta."

Um psicólogo que atendeu Breivik na infância, e que recomendou que ele fosse afastado do convívio familiar aos quatro anos por causa de transtornos no desenvolvimento, também deveria depor na sexta-feira, mas foi dispensado por questões de confidencialidade na relação com pacientes.

Vários outros psiquiatras devem depor na semana que vem. Breivik luta para ser declarado são, e diz que uma decisão em contrário será para ele "pior que a morte".

O acusado diz que cometeu o atentado para punir o governo social-democrata da Noruega por estimular o multiculturalismo e a imigração.

Se for considerado são, Breivik deve cumprir pena de 21 anos na prisão da ilha de Ila, com prorrogações indefinidas enquanto ele for considerado um perigo à sociedade. Se for considerado mentalmente incapaz, dever ser recolhido a outra ala da mesma penitenciária. Em ambos os casos, o mais provável é que passe o resto da vida detido.

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