Assembléia de SP aprova reajuste de 6,5% a policiais

A Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou hoje o projeto de lei que concede reajuste de 6,5% aos policiais civis do Estado em 2009 e mais 6,5% em 2010. A categoria está em greve há 59 dias. Foram aprovadas ainda três propostas para reestruturar a carreira de policiais civis e reclassificar os padrões dos vencimentos dos policiais militares. Os deputados devem votar ainda hoje, em sessão extraordinária, um projeto que prevê critérios diferenciados para concessão de aposentadoria a policiais civis. As emendas e aditivos propostos pela oposição foram todos rejeitados. O acordo fechado ontem entre o líder governista, deputado Barros Munhoz, do PSDB, e os representantes dos policiais para o fim da greve prevê que o governador do Estado, José Serra (PSDB), envie à Assembléia um novo projeto. No aditivo, o governador anteciparia para agosto de 2009 o reajuste salarial de 6,5% previsto para novembro do mesmo ano e exigiria nível superior para ingresso nas carreiras de investigador e escrivão. Mesmo com a votação na Alesp, os policiais civis do Estado de São Paulo não cogitam colocar em votação o fim da greve. Líderes sindicais afirmaram que a decisão da assembléia geral da categoria, marcada para terça-feira, será entre manter a greve por tempo indeterminado ou suspendê-la e entrar em estado de greve. Se for decidida a suspensão, as delegacias voltam a funcionar normalmente, mas os policiais podem, a qualquer tempo, voltar a cruzar os braços. Segundo os policiais, o fim da greve está condicionado ao cumprimento, por parte de Serra, de um acordo proposto por Barros Munhoz. Porém, até o envio e a votação do aditivo os policiais devem manter o movimento, no mínimo em estado de greve, informou o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia de São Paulo (Sipesp), João Batista Rebouças. "Não adianta encaminhar, tem que votar", disse. "A greve só pára quando o governo cumprir a parte dele. Ninguém vai sair dizendo ''a greve acabou'' sem recebermos o que a liderança do governo na Alesp prometeu." O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), José Leal, cogita manter o alerta de greve até março, quando serão retomadas as negociações da categoria com o governo. "Está combinado o restabelecimento das conversações na segunda quinzena de março, com o apoio da bancada governista", afirmou. "Podemos ficar até lá em estado de greve." Suspensão As lideranças da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo (Adpesp) se reúnem amanhã na capital paulista para emitir uma posição oficial sobre a proposta da base do governo. "Estamos propensos a propor a suspensão da greve", afirmou o diretor da associação, André Dahmer. "Se a gente perceber que é um engodo do governo, volta a greve." Apesar de dispostos a votar pela suspensão do movimento na terça-feira, os policiais demonstram insatisfação com a proposta. "Foi uma conversa ácida e amarga", disse Leal. "O acordado está muito aquém da nossa necessidade, mas o levamos em consideração diante da possibilidade de reiniciar a negociação em março." Rebouças afirmou que "para quem não ia ter nada foi um pequeno avanço". Dahmer, que considerou a projeto inicial do governo "uma afronta", julgou a proposta da Assembléia "um pouco menos pior". Diante da insatisfação, a categoria manteve a paralisação nacional de policiais civis, marcada para segunda-feira. Em São Paulo, o ponto alto da manifestação promete ser a queima de um caixão com o nome do partido do governador Serra inscrito - o PSDB. O atendimento nas delegacias dos Estados que aderirem ao movimento ficará suspenso das 8 às 12 horas.

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