Assim é, se lhe parece Cinema

A aluna que não acusa abuso algum

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 02h13

O professor acusado de abuso

Poucas sextas-feiras de 2013 terão lançamentos tão desconcertantes quanto os de hoje (22). As duas principais estreias da semana retratam personagens em espirais de queda - desencadeadas por situações que envolvem sexo. O dinamarquês A Caça fala de Lucas, professor de uma creche falsamente acusado de abusar da filha pequena de seu melhor amigo.

Vivido por Mads Mikkelsen, Lucas é querido pelas crianças e por seus amigos. Após ser acusado pela garotinha, em um intervalo de dois meses, o protagonista perde o emprego, briga com a namorada, vê seu filho ser humilhado e é agredido por funcionários de um supermercado. Num crescendo, o personagem principal se afunda e se torna um pária naquela pequena cidade.

O diretor Thomas Vinterberg tem sua filmografia marcada por forte apelo dramático, como em 'Submarino' (2012). A intensidade de 'A Caça' rendeu ao filme indicação à Palma de Ouro e o prêmio de melhor ator para Mikkelsen no Festival de Cannes de 2012. O realismo da produção resulta numa obra desconfortável como poucas: imperdível, mas difícil de ser assistido mais de uma vez. Ramon Vitral

A jovialidade da protagonista de Depois de Lúcia faz com que o filme mexicano seja ainda mais difícil de assistir que 'A Caça'. Apesar da morte de sua mãe e da inevitável tristeza, Alejandra (foto), de 15 anos, e seu pai mudam de cidade determinados a buscar a felicidade. Em um momento de ingenuidade, ela se deixa filmar por um colega de classe enquanto eles transam. O vídeo vai parar na internet e a garota perde controle da própria vida.

Envergonhada, Alejandra esconde os fatos do pai e de seus professores, facilitando assim a vida dos amigos de colégio que, dentro e fora da sala de aula, praticam as mais diversas e repulsivas formas de bullying - sendo o corte de seus cabelos um dos atos menos hostis. A degradação física e psicológica da garota é filmada de modo impiedoso por Michel Franco, que dirigiu apenas outros dois longas.

Talvez para não expor seus jovens atores, Franco evita explicitar a maioria das crueldades praticadas contra Alejandra. Ele corta cenas ou opta por ângulos menos convencionais. Mesmo sutil nesses instantes mais tensos, o drama ganha contornos progressivamente trágicos até o chocante final. RV

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