Astrônomos propõem outra visão para os pulsares

O Observatório de Raios-X XMM-Newton da Agência Espacial Européia mostrou que a teoria atual sobre como os remanescentes estelares, conhecidos como pulsares, geram seus raios-X precisa ser revista. Em particular, a energia necessária para gerar os pontos de emissão nos pólos das estrelas de nêutron que estão se resfriando pode vir predominantemente de dentro do pulsar, e não da superfície. Estrelas de nêutron são os restos da implosão de uma estrela, e surgem quando a pressão interna do corpo fundiu todas as partículas e deixou apenas os nêutrons. Pulsares são estrelas de nêutrons que emitem jatos de energia a intervalos regulares.O XMM-Newton capturou vistas detalhadas da emissão de raios-x de cinco pulsares, cada um com muitos milhões de anos de idade. Werner Becker, do Instituto Max Planck, na Alemanha, e seus colaboradores não encontraram evidências de emissão na superfície, nem nos pontos de calor nos pólos, apesar de terem visto emissões vindo das partículas externas em movimento. A teoria dominante sobre os pulsares de raios-X afirma que a radiação é produzida pelo aquecimento de partículas espaciais que mergulham na estrela morta.A falta de emissão na superfície não é nenhuma surpresa. Nos milhões de anos desde seu surgimento, esses pulsares esfriaram de bilhões de graus para muito menos que 500 mil °C, o que significa que a emissão de raios-x por toda a superfície sumiu de vista.Porém, a falta de "pontos quentes" nos pólos dos pulsares antigos é uma grande surpresa, e mostra que o aquecimento das regiões polares da superfície pelo bombardeamento de partículas vindas do espaço não é suficientemente eficaz para produzir um componente de raio-X termal significativo. Parece que a visão convencional não é a única maneira de encarar problema. Uma teoria alternativa é que o calor armazenado no pulsar desde o seu nascimento será guiado para os pólos pelo intenso campo magnético dentro do pulsar. Isso acontece porque o calor é carregado por elétrons, que são eletricamente carregados e portanto serão direcionados pelos campos magnéticos. Isso significa que os pontos de calor polares nos pulsares mais novos são produzidos predominantemente pelo calor dentro do pulsar, e não pela colisão com as partículas que vêm de fora. Eles vão, conseqüentemente, sumir de vista da mesma maneira que a emissão por toda a superfície. "Essa visão ainda está sendo discutida, mas tem bastante suporte das novas observações do XMM-Newton", disse Becker.

Agencia Estado,

26 de julho de 2006 | 16h55

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